José Luís Carneiro: "André Ventura diz cada coisa, não cabe na cabeça de ninguém"
Líder do Partido Socialista reage a insinuação do Chega de que o presidente do Tribunal Constitucional sairá por pressão do PS.
O líder socialista considerou esta quarta-feira que não "cabe na cabeça de ninguém" a insinuação do Chega de que o presidente do Tribunal Constitucional sairá por pressão do PS, afirmando que ainda não houve contactos do PSD sobre a reforma laboral.
Durante uma visita à Escola Profissional de Hotelaria e Turismo de Setúbal, no âmbito da Rota pelo Ensino e Formação Profissional, José Luís Carneiro foi questionado pelos jornalistas sobre a sugestão feita na véspera pelo líder do Chega de que terá sido por pressão do PS que o presidente do Tribunal Constitucional comunicou a decisão de renunciar às funções.
"A minha grande preocupação é mesmo o ensino profissional. Mas há uma coisa que eu digo, o Dr. André Ventura diz cada coisa, não cabe na cabeça de ninguém", criticou.
Apesar da insistência dos jornalistas, o secretário-geral do PS não voltou ao tema e reiterou que a sua preocupação no dia de hoje é o "tema do ensino profissional, da formação profissional, da reconversão dos trabalhadores e das oportunidades para 140 mil jovens que esperam por uma resposta".
"O Governo apareceu há dias, de uma forma muito atabalhoada e durante meses, com uma proposta de contrarreforma laboral, mas com o argumento que era para fazer face à competitividade e à produtividade da economia. A melhor forma de nós enfrentarmos o problema da produtividade e da competitividade da economia portuguesa é mesmo apostar na formação das jovens gerações e formar os trabalhadores", defendeu.
Questionado pelos jornalistas sobre se já houve conversações sobre a reforma laboral, Carneiro defendeu que "é preciso que o Governo saiba o que quer fazer agora" e respondeu aos jornalistas que ainda não houve contactos do PSD com o PS sobre o tema.
"Nós temos alguma falta de leis? Nós aprovámos uma lei em 2023. Então estamos a falar do quê? Da agenda de quem? Não é da agenda do Partido Socialista. A agenda do Partido Socialista é formação, qualificação, educação da população adulta, compatibilização do ensino profissional com a articulação com o ensino superior, politécnico e universitário", respondeu, perante a insistência dos jornalistas.
Para o líder do PS "o modo do país produzir mais riqueza, enfrentar o desafio tecnológico, da inteligência artificial e da transição digital" é "garantir formação aos mais jovens e garantir formação aos adultos".
"Haverá maior reforma do que preparar os seres humanos para com as suas capacidades, as suas qualidades. Não há forma de prepararmos melhor o país, de reformarmos mais o país, do que alterar mesmo o que está aqui dentro", disse, referindo-se ao local que ia visitar.
Questionado sobre se o Governo poderá contar com o PS para esta reforma que seguirá para o parlamento, Carneiro voltou a evitar uma resposta clara: "os 140 mil jovens que não estudam nem trabalham podem contar com o Partido Socialista".