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Funcionárias de saúde detidas em rede de imigração ilegal foram suspensas de funções

Lusa 20 de novembro de 2025 às 16:19

As suspeitas prestaram ainda termo de identidade e residência e irão aguardar o desenrolar do processo em liberdade.

As duas funcionárias de uma unidade de saúde familiar (USF) (PJ), no âmbito da investigação a uma rede de imigração ilegal, foram suspensas de funções e vão aguardar julgamento em liberdade, disse fonte policial.
PJ Lusa
Em declarações à agência Lusa, fonte da Diretoria do Centro da PJ explicou que as duas mulheres, de 40 e 54 anos, foram ouvidas por um juiz no Tribunal Central de Investigação Criminal, em Lisboa, tendo-lhes sido decretada a suspensão das funções que exerciam na USF de uma localidade do município de Ovar, distrito de Aveiro. As suspeitas prestaram ainda termo de identidade e residência e irão aguardar o desenrolar do processo em liberdade, embora proibidas de contactar uma com a outra e com os restantes arguidos no caso, a operação "Gambérria", que levou ao desmantelamento de um grupo criminoso organizado suspeito da prática reiterada de crimes de auxílio à imigração ilegal em Portugal. Em informação adiantada na quarta-feira, a Diretoria do Centro da PJ, que lidera a investigação, vincou que as duas funcionárias administrativas terão realizado, a troco de vantagens financeiras, cerca de 10.000 inscrições fraudulentas de imigrantes no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ao longo de um ano e meio. A investigação da Polícia Judiciária descobriu ainda que quase 500 pessoas deram a mesma morada numa rua de Lisboa, situações que não foram detetadas pelos sistemas do ministério da Saúde.
A fonte enfatizou que no processo de legalização de imigrantes, a fase de atribuição do número nacional de utente do SNS ocorre no final e "é das mais difíceis, a cereja no topo do bolo, entre aspas", declarou. A operação "Gambérria", iniciada em setembro de 2023, está na sua fase final e "atingiu os objetivos que pretendia", argumentou. Nas três fases da operação já realizadas, a primeira das quais em maio e a última anunciada na quarta-feira, foram detidas 16 pessoas (entre as quais sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do ministério dos Negócios Estrangeiros), tendo sido constituídas arguidas outras 26 pessoas. A fonte da diretoria do Centro da PJ disse ainda, sem especificar números, que foi apreendido muito dinheiro, imóveis e viaturas, e detetados movimentos bancários de largos milhões de euros.
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