Durante debate quinzenal, Montenegro acusou Ventura de ser "o chegano mais socialista"
O primeiro-ministro e o líder do Chega trocaram acusações em torno do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Um dia após a aprovação do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), o primeiro-ministro regressou ao Parlamento para o debate quinzenal, marcado pelo programa de apoios apresentado três meses após o comboio de tempestades que devastou várias localidades do país. Montenegro e Ventura chocaram de frente durante as suas interpelações.
O líder do partido Chega descreveu como "um fracasso" todos os planos apresentados pelo Governo, indicando que "20 mil pessoas continuam sem comunicações", "70% dos apoios aos agricultores" não foram pagos, e "dois terços dos apoios que tinham sido prometidos na sequência destas tempestades ficaram ainda por pagar". Sobre a proposta do Governo de criar um regime de seguro obrigatório para riscos sísmicos - ressalvando a garantia de apoio do Estado para quem tenha rendimentos mais baixos - Ventura ironizou: "Não queremos um Governo, queremos uma companhia de seguros. Saiam todos e metam aí a Fidelidade, se calhar fará melhor que vocês, porque se calhar resolverá melhor os assuntos dos portugueses".
Em resposta, o primeiro-ministro acusou André Ventura de não possuir "características para ter responsabilidades governativas", uma vez que, acusa Montenegro, "não gosta de planear, não gosta de ponderar e de decidir com base em critério, é mais do estilo dispara primeiro e vai pensar a seguir". O líder do Governo defendeu que os apoios devem ser distribuídos com "critério e rigor", empurrando os argumentos de Ventura para uma área ideológica mais à esquerda: "Com esse discurso, arrisca-se mesmo a ser o chegano mais socialista". O primeiro-ministro desafiou o Chega a apresentar as suas propostas para ajudar as vítimas das tempestades, em vez de "apenas atirar fogacho para o ar, disparar para todo lado e no fim do dia não saber, ou saber bem, que a consequência disso seria mais uma vez o desequilíbrio, pago pelas pessoas e pelas empresas".
Com Lusa