Chega também quer suspensão do acordo de Schengen com Espanha
À semelhança do que já foi sugerido por Itália e pela Finlândia, na sequência da crise migratória em Ceuta.
O Grupo Parlamentar do Chega anunciou esta sexta-feira que vai entregar no Parlamento uma iniciativa para que seja reposto o controlo das fronteiras terrestres com Espanha, depois de milhares de migrantes terem chegado a Ceuta nas últimas horas.
"Perante os acontecimentos em Ceuta, que o Chega considera constituírem uma verdadeira invasão migratória, e face à entrada de um elevado número de migrantes irregulares em poucas horas, o Grupo Parlamentar do Chega dará entrada, ainda hoje, de uma iniciativa que propõe a suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen e a reposição imediata do controlo nas fronteiras terrestres com Espanha", anunciou o partido.
Em comunicado, a bancada do Chega defende que "Portugal tem de voltar a controlar quem entra no seu território" porque "a segurança dos portugueses está em primeiro lugar".
"O presidente do Chega manteve, durante a manhã de hoje, diversos contactos com líderes europeus dos Patriots e do ECR sobre esta situação. Na sequência dessas conversações, vários desses líderes estão a ponderar exigir aos respetivos governos a adoção de medidas semelhantes face a fronteira com Espanha", indica também o partido.
Mais de 40.000 pessoas entraram na cidade espanhola de Ceuta ilegalmente desde quinta-feira, oriundas de Marrocos, disseram hoje fontes policiais de Espanha citadas por vários meios de comunicação social do país.
Uma fonte citada pela agência de notícias EFE disse que as primeiras estimativas das forças de segurança espanholas apontam mesmo para 49.000 pessoas.
A maioria das entradas no enclave de Espanha no norte de África ocorreu na quinta-feira, disseram as mesmas fontes.
O Governo de Espanha não avançou até agora com um número oficial.
Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial nos dois lados da fronteira naqueles momentos não conseguiu travar a avalanche de pessoas.
Como aconteceu durante a madrugada, esta manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", escreveu a agência espanhola Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal EL Pais.
A agência de notícias espanhola EFE avançou que o movimento na fronteira está porém a ser agora nos dois sentidos, com "centenas de migrantes" que entraram em Ceuta a começarem também, esta manhã, "a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram", junto ao pontão fronteiriço na zona de El Tarajal.
O Governo de Espanha anunciou na quinta-feira o envio de Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na "manutenção da segurança na cidade", assim como um reforço de meios das forças de segurança.
Segundo os meios de comunicação no local, o exército espanhol está já a colocar tanques no acesso à cidade, junto à fronteira com Marrocos, na zona de El Tarajal.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, vão também à cidade hoje.
Por seu lado, as autoridades marroquinas reforçaram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.
Os dois governos asseguraram na quinta-feira existir uma boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.