25 Abril: Câmara de Lisboa saúda 52.º aniversário salientando "relevância incontornável"
Uma petição intitulada "Festas de Abril sem Abril" já foi assinada por várias centenas de agentes culturais de Lisboa, criticando o que consideram ser o "esvaziamento" e a "progressiva desvalorização" do 25 de Abril na programação municipal.
A Câmara de Lisboa saudou esta quarta-feira o 52.º aniversário do 25 de Abril, salientando a "relevância incontornável" na construção da democracia, com a aprovação de um voto proposto pela liderança PSD/CDS-PP/IL, mas rejeitou uma moção do PCP.
As celebrações do 25 de Abril dominaram o período antes da ordem do dia da reunião privada do executivo camarário, segundo disseram à Lusa fontes partidárias.
O voto de saudação pelo 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, proposto pela liderança PSD/CDS-PP/IL, encabeçada por Carlos Moedas (PSD), foi aprovado com o voto contra do PCP.
O Chega absteve-se no ponto que refere a homenagem a "todos aqueles que contribuíram para a revolução e, posteriormente, para a consolidação do regime democrático".
O voto aprovado reafirma "o compromisso da autarquia com os valores do Estado de Direito democrático consagrados na Constituição da República Portuguesa", destacando "o poder local democrático como eixo central da participação cívica e da proximidade entre representantes e representados".
O PCP justificou o voto contra por considerar que se trata de "mais uma grotesca e condenável tentativa de reescrita da História", que não menciona "uma única vez" o fascismo.
"[O 25 de Abril] foi uma revolução, que revolveu os alicerces do Estado e os ergueu em novas bases -- de liberdade, de igualdade, de justiça social e democracia. Os subscritores deturpam esta realidade e insistem na tese de uma alegada "transição", que só se consolidaria, assim o dizem, ano e meio depois do 25 de Abril, com um golpe contrarrevolucionário", lê-se na declaração de voto do PCP, a que a Lusa teve acesso.
A moção do PCP, chumbada com os votos contra de PSD, CDS-PP, IL e Chega, pretendia saudar o 52.º aniversário do 25 de Abril e o "inestimável património de transformações económicas, sociais, culturais e políticas que o materializam", bem como prestar homenagem "a todos os resistentes antifascistas e aos militares de Abril que abriram as portas da liberdade".
No texto era ainda manifestado um "firme protesto contra a desvalorização das comemorações institucionais por parte da Câmara Municipal de Lisboa, exigindo a reposição da dignidade e da dimensão pública que a data exige".
O vereador do PCP em Lisboa, João Ferreira, tinha já criticado, na reunião de 08 de abril, o que considerou a "pobreza absoluta" das comemorações do 25 de Abril promovidas pelo município, sem o tradicional concerto na noite de 24 para 25 pelo segundo ano consecutivo.
Uma petição intitulada "Festas de Abril sem Abril" já foi assinada por várias centenas de agentes culturais de Lisboa, criticando o que consideram ser o "esvaziamento" e a "progressiva desvalorização" do 25 de Abril na programação municipal.
Na petição, a que a Lusa teve acesso, os signatários consideram que "o 25 de Abril surge esbatido, diluído, quase ausente" das Festas de Abril, que integram a programação da EGEAC Lisboa Cultura.
"A forma como são apresentadas as chamadas Festas de Abril - celebrando 'o regresso do sol, das flores, da boa disposição, a vontade de sair de casa e de fazer coisas com os amigos' - desloca completamente o centro de gravidade daquilo que Abril verdadeiramente representa. Como se a data maior da nossa democracia pudesse ser suavizada até caber numa ideia genérica de festa da primavera", lê-se na petição, dirigida ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD).
Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa de terça-feira, Moedas considerou que a petição é um ataque político e uma tentativa de o diabolizar que não fazem sentido.