Alcindo
João Pedro George
21 de novembro

Alcindo

Quanto mais tentamos relativizar o racismo, mais essa linha nos inclui a todos e nos liga a ele. Porque, quer queiramos quer não, os racistas (e os skins que mataram Alcindo) fazem parte da nossa sociedade, são-lhe intrínsecos.

UM JOVEM NEGRO de 27 anos, sábado à noite, caminha sozinho numa rua deserta de Lisboa. De repente, perante os seus olhos, aparece-lhe um grupo de bestas perigosas. Adivinhando-lhes as intenções, roda sobre os calcanhares e tenta fugir, invertendo a marcha.

Cobardes, mas rápidos em movimentos, alguns elementos da matilha encurralam-no, agarram-no pelas costas, pregam-lhe uma rasteira.

No chão, enquanto tenta escapar dos braços que o seguram, sente uma forte pancada na cabeça. Calçados com botas de biqueira de aço, soqueiras nos quatro dedos da mão que se opõem ao polegar, e a labareda do ódio racista ardendo-lhes nos olhos, os torturadores descarregam pontapés e murros sobre o seu corpo franzino. Uma e outra vez. Pontapé após pontapé, murro após murro. Sem piedade.

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