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O País que ele quer terá apenas homens e mulheres de beleza simples, diversa mas aspirante da justiça de um gigantesco baile democrático ao ar livre, onde se prometem e cumprem perdões às mães que nos deixaram porque o País as abandonou no prostíbulo da baixa política
O bebé encontrado no lixo deveria crescer como um rapaz de sorriso largo, as pernas e os braços despertos pela compaixão, cabeça imersa em ideias claras, aquela sede de saber tudo, a cor do céu que não viu quando nasceu, o sabor secreto da água, o tom da pele que lhe dá rosto, a alegre indiferença face ao tom da pele dos outros, o laranja-terra de Cabo Verde, o brilho das colinas de Lisboa e uma vontade de ferro, alumínio e cobalto para anular a infinita distância entre os que dormem ao relento, encostados aos túneis de Santa Apolónia, e os que se espreguiçam, 10 metros à frente, no calor exangue do Lux ou fitam, transidos, mil metros atrás, os andróides empreendedores da Web Summit (será que Paddy sonha com ovelhas eléctricas, tosquiadas pela mulher para melhor parir camisolas de 800 euros?) porque o país que ele quer não terá uns e outros, apenas homens e mulheres de beleza simples, diversa mas aspirante da justiça de um gigantesco baile democrático ao ar livre, com morna, fado, pop e bossa nova, onde se prometem e cumprem perdões às mães que nos deixaram porque o País as abandonou no prostíbulo da baixa política, no muro alto dos brandos costumes, nos complexos de nação-anã, nos sonhos antigos da grandeza imperial mas onde sobra, por ora, uma sebastiânica orfandade que lhe diz alguma coisa e que ele transformará em desejo, ética, paixão, movimento, até chegar a presidente mulato, pansexual, implacável com todas as fúrias e absolutos, pregando a tolerância como um agnóstico e o bem-estar como um acólito até ao dia em que, de olhos já mirrados pelo tempo mas ainda limpos e perscrutantes, despejará as memórias vermelhas e cinza, fétidas, das primeiras horas de escuridão no mesmo lixo onde foi encontrado, e o que é da terra a ela regressará. Em paz.
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