Cinema: procura-se morto ou vivo
Pedro Marta Santos
02 de maio

Cinema: procura-se morto ou vivo

Como o Pulp Fiction de Tarantino relembrou há 30 anos, o cinema é um shot de adrenalina no coração. O streaming é um ansiolítico, um analgésico. O cinema cria uma camada extra na nossa percepção da realidade. O streaming cria uma divisória entre o espectador e o mundo.

DEPOIS DE 13 MESES de escuridão sem a luz redentora das imagens, ainda há prova de vida para os filmes numa sala? Como a missa do século XX, a experiência comunitária do cinema poderá terminar antes do fim do século XXI. Ou tornar-se um fenómeno de seitas marginais, olhadas com desconfiança pela sua apostasia. Numa entrevista à New Yorker, o realizador e argumentista Paul Schrader, que escreveu Taxi Driver, O Touro Enraivecido e A Última Tentação de Cristo – o homem é calvinista mas sabe duas ou três coisas sobre fé e pecado –, confirmava o que postara num texto no Facebook: "A transição das longas-metragens de cinema para os formatos do streaming roubou à narrativa a capacidade de criar histórias concisas que funcionem como um murro na cara." A pandemia pode ter sido o último prego neste caixão de anacronismos.

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