Uma morte pouco natural...
José Pacheco Pereira Professor
26 de maio

Uma morte pouco natural...

Estou a “aproveitar-me” da infeliz morte de um rapaz para atacar a “tauroma- quia”? Estou, porque o rapaz foi morto por um touro, num espectáculo público de res- ponsabilidade da autarquia, inseguro, violento, com animais que são selvagens pela sua natureza, empur- rados por uma multidão que os assusta e os ameaça. Como é que querem que não se faça essa ligação?

...mas pelos vistos demasiado natural. A responsável pelo espaço público onde ela se deu, pelo jogo da morte que a provocou, chamou-lhe um "incidente" como se fosse um "acidente". O comunicado do município da Moita é uma obra-prima de hipocrisia. Houve um "trágico incidente". Sim, onde, como, de que forma? Nada. Não há a mais pequena referência à largada de touros no programa das festas. Ao rapaz caiu-lhe um meteorito em cima. A câmara "lamenta o sucedido e apresenta as mais sentidas condolências à família". Esta é a fórmula habitual nos EUA sempre que alguém entra num supermercado ou numa escola e começa a disparar indiscriminadamente. Os políticos americanos, em particular os republicanos que querem tudo menos discutir o controlo das armas, "oferecem as suas orações" e dizem mais ou menos o mesmo. Depois, o final - sim, não há mais nada no comunicado - conclui:

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