Os malvados dos ingleses e os bons comemoracionistas do futebol
José Pacheco Pereira Professor
09 de junho

Os malvados dos ingleses e os bons comemoracionistas do futebol

O nosso laxismo com as comemorações futebolísticas de Lisboa, e com a “bolha” que não é bolha nem de sabão no Porto, fez piorar as estatísticas e lá foram de regresso os milhares de ingleses que para cá tinham vindo de férias. O turismo algarvio devia mandar a conta às autoridades portuguesas.

Sim, é verdade que os ingleses fizeram muita asneira com Boris Johnson a imitar Trump nos primeiros meses da pandemia. Quando os resultados começaram a ser alarmantes, mudaram de orientação governamental e, como são capazes de se organizar depressa, conduziram um eficaz programa de vacinação. Pelo caminho, oscilam entre o rigor do confinamento e o laxismo, mas pode-se dizer a seu favor que parecem ter as coisas controladas. No fundo, há também um complicado processo político que inclui as consequências do Brexit, retaliações diversas e usurpação de vacinas. Portugal, que conta pouco a não ser como campo de futebol, tem pago as consequências do carácter errático da política britânica. Mas nós ajudámos à festa e não foi pouco.

Os ingleses olham para as estatísticas, incluindo as variantes, e Portugal depois de estar bem começou a piorar. O nosso laxismo com as comemorações futebolísticas de Lisboa, e com a "bolha" que não é bolha nem de sabão no Porto, fez piorar as estatísticas e lá foram de regresso os milhares de ingleses que para cá tinham vindo de férias. O turismo algarvio devia mandar a conta às autoridades portuguesas, às comemorações do futebol que foram consentidas e o que sobrar mandar para o Reino Unido. Mas a culpa está longe de ser apenas da pérfida Albion…

Pelos vistos as coisas sérias só entram no horário nobre se forem histriónicas
Um novo programa da RTP, chamado Programa Cautelar usando o nome da apresentadora Filomena Cautela, é um programa de entretenimento, que vive da apresentadora e da sua equipa (percebe-se que há um papel da equipa), que num tom jocoso trata de coisas sérias e de trivialidades. É uma mistura cada vez mais comum na televisão e como é óbvio ganham as trivialidades. Mas faça-se justiça que neste primeiro programa tratou bem, no registo histriónico, mas bem, de uma questão mais que séria: a ameaça de que em nome dos "direitos digitais" possa aparecer uma censura baseada na lei aprovada na Assembleia da República com o voto a favor e abstenção de toda a gente. E quando digo bem, é bem mesmo, bem feito, bem apresentado, com ritmo e sem perda do conteúdo. Para o que é comum nestes programas, é de saudar o resultado. Admito até que algum resto informativo fique em quem vê o programa.

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