A palavra de Cavaco Silva
José Pacheco Pereira Professor
14 de outubro

A palavra de Cavaco Silva

O Chega é indiferente a que lhe caiam em cima as acusações que fazem a todo o mundo, porque o que eles querem é deitar gasolina no populismo e depois se verá. Se há coisa a que o Chega é indiferente é à corrupção.

Há no artigo de Cavaco Silva um erro: a atribuição do poder de "silenciamento" das vozes críticas e da oposição ao PS e ao governo. Cavaco Silva deveria ter memória de como o mesmo tipo de coisas foi dito sobre o seu período de governação, com os mesmos exageros e a mesma falta de razão. Confundir a impotência da oposição, com uma gigantesca manobra de manipulação e controlo, que "explica" em ultima ratio as vitórias eleitorais do PS, é mais uma desculpa do que uma análise.

E há um outro aspecto negativo destas afirmações, é que acabam por normalizar os momentos em que, de facto, houve tentativas efectivas de "silenciamento". É politicamente perigoso misturar tudo e exagerar, porque acaba por banalizar o período em que efectivamente houve uma tentativa séria de dominação da comunicação social, os anos de José Sócrates. 

A estratégia da terra queimada: "todos são corruptos menos eu"
A estratégia do Chega tem como componente essencial a atribuição da qualidade de corruptos a todos menos a eles próprios, que aparecem como "justiceiros" num mundo de "políticos" vendidos. Na história da democracia portuguesa já houve partidos que actuavam assim, como foi o caso do defunto PRD, que acabou por ser vendido ao PNR, actual "Ergue-te", numa operação permitida pelo Tribunal Constitucional. Destino mais inglório é difícil ter-se.

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