Angola: “irritantes” e tranquilizantes
Nuno Rogeiro
20 de maio de 2018

Angola: “irritantes” e tranquilizantes

Portugal e Angola, queira-se ou não, são importantes um para o outro. Não se trata apenas de palavras e floreados, mas de factos poderosos e relações práticas, na economia e na sociedade, na paz e no conflito. A grande questão é a de saber que princípios (ou só instintos) devem orientar esta relação

Muitos dos que apoiaram uma descolonização exemplarmente irresponsável, e uma Angola monopartidária e totalitária, acham que agora é que esta se tornou "claustrofóbica", e que a justiça portuguesa sofreu derrotas perante um poder iníquo e corrupto.
Mas a verdade é que, sem intermediários e sem interferências, importa que se separem os vários níveis de relação de Portugal com a sua antiga colónia, depois "província", após isso "estado", e logo a seguir "nação libertada", mas logo mergulhada em conflitos internacionais e civis.
A paz precisa de ser justa para ser verdadeiramente paz. Mas uma guerra devastadora, em que os civis se tornavam na principal carne para canhão, foi erradicada de Angola. É algo que não pode ser subestimado.

Por outro, Angola prometeu, há menos de um ano, apoiar a sociedade, reformar a economia, distribuir equitativamente a sua imensa fortuna, racionalizar e moralizar o Estado. Esta é uma tarefa gigantesca, mas que têm de ser os angolanos a dirigir, a gerir e a julgar.
Portugal, claro, pode construir, colaborar e ajudar em projectos que acabem por ser bilateralmente vantajosos.
Uns passam-se de pessoa a pessoa, de universidade a universidade, de empresa a empresa, de município a município.


Outros envolvem os poderes públicos, em várias áreas civis e militares.
Num continente ainda inseguro e caótico, onde Angola pode desempenhar um papel estabilizador fulcral, a última área é relevantíssima.
Na sua transição de vários modelos de organização, equipamento, doutrina e treino, as forças armadas e de segurança angolanas têm mantido um forte laço com os portugueses.
Além do património humano e material da Cooperação Técnico-Militar, e da ligação activa no seio da CPLP, temos os protocolos, os programas, as estruturas e as operações a envolver a PSP, a GNR, a PJ, o SEF, o SIS e o SIED.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Tópicos nuno Rogeiro 733
Opinião Ver mais