Mentir na desportiva
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
16 de setembro de 2017

Mentir na desportiva

Antigamente, comentavam-se vídeos e árbitros. Agora, serão vídeos, árbitros e vídeo-árbitros. Honestamente, alguém devia instalar um vídeo-árbitro só para controlar melhor os próprios vídeo-árbitros

NOVO ANO LECTIVO, novas médias de entrada na universidade. E as engenharias, pelos vistos, levam a taça. Li algures que só no Instituto Superior Técnico de Lisboa há cursos com médias superiores a 18 valores.
Não estou impressionado. Quando vejo cursos de Engenharia Aeroespacial com notas na estratosfera, as minhas perguntas são fulminantes: não estaremos na presença de uma manifestação de elitismo? Será que as médias são o melhor sistema de colocação? E as mulheres? Por que motivo Engenharia Física não tem maior presença física das ditas?

Felizmente, uma jornalista do Expresso, Joana Pereira Bastos, confrontou o presidente do Técnico com estas angústias. Arlindo Oliveira respondeu com assinalável soberba: sim, é um curso elitista; sim, as notas são o melhor filtro porque impedem critérios "subjectivos"; e, sim, há mais homens do que mulheres, embora as donzelas já constituam 30% da discência.

Lamento. É insatisfatório. Uma universidade inclusiva deve ser a imagem de uma sociedade inclusiva. Isso implica, para início de conversa, que os cursos de engenharia deviam "abrir-se à sociedade" e reservar alguns dos seus lugares elitistas para analfabetos a matemática – e com óbvia prioridade para a ala feminina. O resultado pode ser desastroso?
Entendo a pergunta. E entendo que as "ciências exactas" não se confundem com o circo reinante na maioria das "ciências sociais": afinal de contas, é preciso fazer contas.

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