Jardim-de-infância à beira-mar plantado
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
23 de setembro de 2017

Jardim-de-infância à beira-mar plantado

Em tempos arcaicos, era preciso um contrato de trabalho para ficar entre os gentios. Agora, basta uma promessa de contrato de trabalho, embora eu talvez preferisse uma declaração de amor ao fado e ao bacalhau à Brás por parte do imigrante interessado

Estamos a salvo do terrorismo internacional? Graça Mira Gomes, a indigitada secretária-geral do Sistema de Informações da República, diz que não. Mas acrescentou no parlamento que confia no seu pessoal, não apenas para lidar com eventuais ataques – mas para impedir que Portugal sirva de covil para a preparação de atentados ou fuga de terroristas.
Palavras sensatas. Sensatas e, acrescento eu, perfeitamente compreendidas pelo Governo e seus parceiros, que facilitaram a vida à secretária-geral do SIRP com a lei da imigração vigente. Será preciso relembrar?
Em tempos arcaicos, era preciso um contrato de trabalho para ficar entre os gentios. Agora, basta uma promessa de contrato de trabalho, embora eu talvez preferisse uma declaração de amor ao fado e ao bacalhau à Brás por parte do imigrante interessado.

Seja como for, o resultado desta alteração legal é que os pedidos de autorização de residência aumentaram 1.300%. Conta o DN que, no espaço de uma semana, os 300 pedidos habituais transformaram-se em mais de quatro mil.
Não sei o que pensa a dra. Mira Gomes deste cenário, mas creio que não devemos dramatizar. Primeiro, porque levantar dúvidas sobre a segurança do País perante uma lei de imigração mentecapta é uma exibição de xenofobia/racismo/fascismo/canibalismo/bestialismo [riscar o que não interessa].
Mas, sobretudo, porque uma política de portas abertas pode impressionar e frustrar o jihadista ocasional. Confrontado com a sanidade da espécie, ele rapidamente concluirá que os infiéis portugueses, com os políticos que os servem, já têm castigo que baste.


Nada tenho contra as praxes académicas. Pelo contrário: sempre defendi que as mesmas são necessárias para identificar os adultos que podem frequentar uma universidade – e aqueles que devem ser devolvidos ao jardim -infantil. De que vale ter médias curriculares quando a média que interessa – a mental – é ridiculamente baixa?

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