Em 2026 vamos saber se a Ucrânia vai sobreviver como país íntegro e soberano à agressão russa e à viragem politico-diplomática de Washington, com Trump na Casa Branca. Vamos também saber se os líderes europeus estarão à altura do desafio tremendo que já atravessam e se vão ser capazes de falar verdade ao seus eleitores sobre o que verdadeiramente está em causa: defender a Ucrânia, fazer sacrifícios que não pensávamos ser necessários e projetar uma nova arquitetura de Segurança que não dependa dos EUA. Não será coisa pouca.
O ano que está a começar será decisivo para o futuro da Europa. A frase parece gasta - cada ano que começa parece-nos sempre decisivo - mas, no caso do projeto europeu, isso é mesmo verdade em 2026. A União Europeia não resistirá a uma Rússia imperial vencedora na Ucrânia. Mais uma vez: parece um cliché fácil de atirar. Mas temos de perceber o momento em que estamos e fazer um esforço de descodificar. Ou travamos a passada russa na Ucrânia ou estaremos a pouco tempo (meses? um ano? dois anos? cinco anos?) de assistir à entrada russa em espaço NATO e UE. Putin não resistirá a essa tentação, se sentir, do nosso lado, fragilidade, hesitação, medo. Se, no inverso, projetarmos para o Kremlin união, coesão, força e vontade de defender o nosso espaço e territorial e de valores, não será preciso explicar a Putin que, juntos, valemos 15 vezes economicamente e três vezes militarmente (se contarmos UE com Reino Unido, Noruega, Canadá). Não precisamos dos EUA para não nos subjugarmos a Putin. Temos de ser claros e corajosos para perceber que a ameaça é real e que vêm aí decisões difíceis. Seremos capazes? A resposta começará a desenhar-se neste ano de 2026. Não interessa muito saber se estamos otimistas ou pessimistas. Interessa agir. E não ter medo.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Os derradeiros dias de Pessoa com a mãe, a dama de companhia que guardou os papéis de Flores Singelas e o seu esquecimento, durante anos, no espólio de Natália Correia
A indústria financeira explora o desconhecimento e os viés comportamentais da maioria dos clientes – e faz parte do problema dos baixos rendimentos no país.
A indústria financeira explora o desconhecimento ou os viés comportamentais dos seus clientes - e faz parte do problema dos baixos rendimentos no país.