China e a arte portuguesa de não ver
Bruno Faria Lopes Jornalista
02 de dezembro de 2019

China e a arte portuguesa de não ver

O silêncio de Portugal sobre a repressão no Xinjiang encaixa noutros silêncios. A mutação da China para investidor, cooptando a elite portuguesa, leva o Governo a fazer tudo para não incomodar Pequim. Há vantagens materiais – e um preço intangível

As revelações dos últimos dias sobre a ação brutal da China na província de Xinjiang confirmaram uma das maiores histórias da atualidade: a reeducação forçada de mais de um milhão de pessoas de etnia uigur. Já havia imagens satélite sobre os campos e relatos de pessoas a descreverem torturas variadas. Agora há documentos internos e um estudo publicado no Journal of Political Risk, que mostram a forma de processar os detidos (um primeiro campo para "erradicar pensamentos extremistas perigosos", um segundo de trabalho forçado), as estratégias para separar famílias e institucionalizar crianças uigures, entre outros abusos.

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