O desfecho da détente com Pequim
Paulo Batista Ramos
06 de abril

O desfecho da détente com Pequim

A pandemia expôs a teia de adições económicas globais e as desintoxicações estão em marcha.

Até sem ser erguida uma cortina de ferro, chegou ao fim o período de desanuviamento e de expectativas positivas do Ocidente em relação à postura estratégica da China. Desde os anos 1990 que o capitalismo capilar chinês condiciona os destinos da geoeconomia global, tendo recebido um incremento com a expansionista iniciativa Faixa e Rota da Seda.

As forças atrativas do capitalismo chinês, mão-de-obra barata e um mercado de consumo em crescimento constante, parecem já não representar mais-valias suficientes para ultrapassar as incertezas impostas, inversamente, às economias de mercado e aos modelos de estado social das sociedades transatlânticas.

A pandemia expôs a teia de adições económicas globais e as desintoxicações estão em marcha. A China nacionalista terá sido a primeira a reagir ao instituir, ao que parece já em maio de 2020, o conceito de "circulação dual". Este modelo de política económica visa estimular em simultâneo a economia interna e o comércio externo, mas como esferas autónomas intercomunicantes. O modelo, segundo a visão de Xi Jinping, permitirá à China desligar-se do mundo, através da substituição das importações e transformar-se numa autarcia.

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