Portugal vê-se 'greco' para lutar contra a pobreza e a corrupção
Paula Cordeiro
13 de abril

Portugal vê-se "greco" para lutar contra a pobreza e a corrupção

Somos um país pobre que se dá ares de rico, que trabalha e não passa disso mesmo: o filho esforçado e cumpridor que vê o irmão a gastar, a arrastar a sua presença no tempo e na casa que o viu nascer, levando em braços porque, afinal, o mundo está contra ele.

Confesso, na maior parte das vezes não sei como começar estes textos porque entre o pessimismo do que a sociedade nos dá e o optimismo que precisamos para continuar, fico entre uma visão pragmática dos factos e a vontade de os corromper, transformando a desgraça num desafio e o problema numa oportunidade. São assim os optimistas, não é?

Acredito que precisamos de uma dose extra de confiança para não estarmos a ver as coisas como elas são e, se é verdade que, para cada mau elemento existe algo de positivo, também é verdade que há anos que caminhamos no limite de um precipício de um buraco no qual, se cairmos, dificilmente de lá sairemos.

Portugal é o filho pródigo a quem tudo perdoamos, um primogénito cheio de defeitos que preferimos ignorar a favor das suas qualidades. Como filho que é, aceitámos que, em criança, nos fosse à carteira roubar os trocos para comprar rebuçados na padaria. Depois, também fizemos de conta que não percebíamos que nos levava uma nota para gastar no que lhe apetecia, enquanto nos pedia dinheiro para almoçar na escola e, ao fim de semana, sair com os amigos. Tornou-se mais grave quando tentava e não conseguia arranjar emprego porque não valorizavam as competências que não tinha. De tanto o protegermos e amparar, deixou-se andar, não estudou, não se preparou e o que faz melhor é estar de perna estendida a ver filmes no sofá, ou no café a conversar com os amigos. Tem azar ao jogo e ao amor, mais ainda no trabalho, porque é sempre melhor do que aquilo que lhe oferecem para fazer e, por ordenados tão baixos, nem sai da cama. Baixamos a cabeça, continuamos a não querer ver que vivemos com um adulto mimado e preguiçoso, que não faz porque não quer fazer, sobretudo, porque não foi ensinado a fazer, porque teve sempre alguém que fizesse por si e porque o dinheiro fácil foi a única realidade que conheceu. Culpamos este adulto mariola sabendo que a culpa é nossa porque nada fizemos no tempo e oportunidade para o educar.

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