Uma barriga cheia de nada: as lancheiras e os lanches na escola
Paula Cordeiro
06 de abril

Uma barriga cheia de nada: as lancheiras e os lanches na escola

Vou apenas perguntar a razão pela qual a DGS não intervém (ainda mais) junto da indústria alimentar e dos supermercados, no sentido da alteração da oferta de alimentos processados que inundam as prateleiras?

Depois da conspiração das vacas, do verdadeiro preço da moda, das alterações climáticas, da evolução do mundo e do abismo para o qual caminhamos, do dilema social  ou de aprendermos a arrumar a nossa casa e a nossa vida, o mais recente  documentário que está a surpreender o mundo é sobre peixe. A conspiração agora é no mar, e a controvérsia nas redes sociais, entre a surpresa e o horror de quem sabe, mas prefere não pensar muito no tema, e a placidez dos que há muito que lidam com a estranheza do outro pelas suas opções de vida sustentáveis e amigas do  ambiente.

No  mesmo dia em que os miúdos regressaram à escola, a Direcção Geral da Saúde (DGS) emitiu um conjunto de recomendações sobre o que não deve faltar nas lancheiras, por reconhecer que há muitos lanches de baixo valor nutricional, que contribuem para o problema do aumento da obesidade infantil e diminuição do rendimento escolar. A DGS faz referência aos snacks salgados, às bolachas e às bebidas e, como em tantos outros contextos, responsabiliza pais e educadores por aquilo que deve ser incluído na lancheira.

É um facto que, em última análise, seremos responsáveis pelas nossas escolhas, as quais, inevitavelmente, dependem do que sabemos sobre os alimentos, da nossa maior ou menor permeabilidade às agressivas técnicas de marketing da indústria alimentar, das apetitosas promoções dos supermercados, do tempo disponível para dedicarmos às compras e preparação de alimentos, e do recheio da carteira para as suportar. 

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