Catastrofista, eu?
Paula Cordeiro
08 de junho

Catastrofista, eu?

É o elefante na sala de que ninguém quer ver, tal como os milhões que entregamos a bancos falidos sem que disso se fale abertamente, ou as contestações que levam a prescrições do que não poderia, jamais prescrever: a corrupção.

No dia mundial dos oceanos, ignorar que temos um mar de plástico é o mesmo que dizer que vai ficar tudo bem quando é óbvio que não está tudo bem, não vai ficar tudo bem e que nada voltará a ser igual. Ontem, a propósito do meu livro, vida instagramável, mas sobretudo, da minha estranha relação com a tecnologia e redes sociais, perguntaram-me se eu tinha mais medo que me vissem como conspiracionista, com a mania que sabe tudo, catastrofista, socialista, alarmista ou realista. Respondi que, muitas vezes, sentia-me um grilo falante, com temas que, quem já sabe não precisa de ouvir e quem não sabe, não quer ouvir falar. Talvez seja realista, contudo, se observarmos os factos, a catástrofe é iminente, há demasiadas conspirações, os alarmes estão a soar e não há como ignorar. Ou há? Ignorá-lo não nos estende o tempo de vida na Terra nem trará nada de bom a ninguém. É o elefante na sala de que ninguém quer ver, tal como os milhões que entregamos a bancos falidos sem que disso se fale abertamente, ou as contestações que levam a prescrições do que não poderia, jamais prescrever: a corrupção. 

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