Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
27 de março de 2026 às 18:47

"Soy Pan, Soy Paz, Mas Só Para Alguns em Cuba”

Ao camarada Pablo Iglesias juntaram-se Javier Sánchez (Podemos) e Gerardo Pisarello (Sumar), que também preferiram voar a ser navegados.

Foi numa flotilha com asas. De avião, aí, não, assim a espera fica mais confortável. Qual embarcação, qual o quê, homem. Flotilha Boeing. Os fundadores do Podemos podem desfrutar no mar, coitadinhos, atenção ao Gregório, e além de tudo, o oceano atravessado primeira em classe sabe tão bem, ou melhor, do que um mojito bem aviado de rum e hortelã. Pablo Iglesias, possivelmente primo ideológico da esquerda radical de Mariana Mortágua e de Sofia Aparício, já nos habituou à contradição que é o seu discurso populista pautado com a ladainha da defesa da classe trabalhadora e a vidinha de burguês, a sua. Pode arregaçar mangas e calçar botinhas ao estilo ortopédico. Engana unicamente os tontos. Tão preocupado com a crise económica, tão preocupado com a habitação, em 2018, a preocupação passou-lhe e comprou um chalé por 600 mil euros. Chalé. Meio milhão e cem mil euros. Com uma bela piscina, em Galapagar, sem recorrer a empréstimos. Nada contra, era o que faltava, compre o Retiro e todos os quadros de Goya e de Velásquez no Prado, não altera a conclusão: o paleio de Pablo choca de frente com a sua vida. Em Havana foi instalado um hotel com constelação milionária. Regalias por conta da revolução de 1959. Passeios turísticos, refeições, dormida. Pensão completa. Turismo pautado pela miséria dos cubanos. Tenham vergonha. Não tiveram. Ao camarada Pablo Iglesias juntaram-se Javier Sánchez (Podemos) e Gerardo Pisarello (Sumar), que também preferiram voar a ser navegados. O trio, que se mostra sempre na primeira linha da liberdade e maravilhas afins, encontrou-se com o líder autoritário do regime caribenho, Miguel Díaz-Canel. Batidas nas costas, apertos de mãos. Que horror. Com direito a uma entrevista que não é entrevista nenhuma, mas coisa feia encomendada. Ide ver no YouTube Pablo Iglesias de mangas até ao cotovelo com o presidente ditador que nunca conheceu eleições.

As 32 almas, de 10 países, da mesma formação de Pablo e seus muchachos, chegaram à ilha de flotilha. Ena. Até recebeu nome: trem Nuestra América. E o objectivo do comboio da América deles era entregar ajuda humanitária e demonstrar apoio internacional perante a grave crise energética e económica do país. A desgraça apenas toca o povo. Unicamente. A corte ditatorial, reforçada pela esquerda varrida desnorteada, acorrentada ao antissemita primeiro-ministro Sánchez, transportou ajuda ao povo que vive no fundo do poço, sofrendo dias, semanas, sem luz e com pão contado, uma calamidade que assume um infrator: ditadura soprada por um único partido, só um é mais nenhum, Partido Comunista de Cuba. Não era preciso terem viajado com carga. Bastava aos ativistas pedir a Miguel Díaz-Canel para dividir as mordomias, as suas, e dos camaradas, pela população. Lembrar-lhes que o mesmo mecanismo que mantém iluminados ininterruptamente hotéis de cinco estrelas não tira da escuridão os cubanos. Também há a hipótese de os flotilheiros pedirem a Sandro Castro para vender da sua frota faustosa automóvel, e, em vez de esbanjar dinheiro em festas de arromba, o neto de Fidel que gaste fortuna com bens essenciais para os seus contemporâneos. Aos membros da seita déspota não lhes falta, sequer, uma mão de marfim para coçar as costas. O embargo americano atinge o povo cubano e não atinge a corte comunista por culpa comunista. Crime comunista, aliás.

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