A irmandade dos negócios
João Paulo Batalha
21 de julho

A irmandade dos negócios

As cimeiras da CPLP são uma ficção pouco edificante. Debaixo do verniz da fraternidade lusófona estão os negócios estreitinhos de uma elite pouco recomendável.

Não deixa de ser sintomático que a notícia mais visível saída da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em Luanda, no último fim de semana, tenha sido a festa de aniversário que João Lourenço ofereceu a António Costa, que calhou passar o dia dos seus 60 anos no encontro. O primeiro-ministro português (talvez para que não o confundam com um amigo íntimo do Presidente angolano) encarou a festa como "um sinal da excelente relação que hoje existe entre todos nós".

Este ano não há irritantes na fraternidade lusófona, pelo que a cimeira da CPLP pôde dedicar-se ao que importa: juras de amor verdadeiro e festas para a fotografia. O que verdadeiramente interessa trata-se nos bastidores.

Vale a pena ler a pomposa "Declaração de Luanda" que saiu da reunião. Bom, "vale a pena" é uma força de expressão. Na verdade, desfiar o rol de 51 parágrafos de banalidades e generalidades em que acordaram os chefes de Estado e de Governo da "lusofonia" é uma ingrata perda de tempo. O destaque do encontro foi para a ratificação de um acordo de mobilidade que, disse António Costa à saída, "vai mudar tudo na vida das pessoas". Tudo o quê? Veremos.

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