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(Enviada semanalmente)
A guerra nos Estreitos de Bad al Mandab e Ormuz é uma das emergências da economia e segurança globais a aguardar melhores dias.
Pelos tempos mais próximos o preço do petróleo é sempre a subir.
O que corria mal pior ficou com a conquista pelos houthis iemenitas da costa sul da Península arábica, fronteira ao Djibuti e à Eritreia, passando as forças xiitas a controlar o Estreito de Bad al Mandab, o Estreito das Lamentações.
Com a conquista do porto de Moka, do arquipélago de Hanish e da ilha de Perim, a passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden – a rota do Canal do Suez – caiu esta semana sob controlo houthi.
O avanço dos xiitas, desbaratando as forças do governo de Áden que combatem desde 2014 – uma aliança de tribos maioritariamente sunitas apoiadas pela Arábia Saudita –, alarga o domínio houthi sobre as regiões ocidentais do Iemén.
Os houthis declararam assegurar a liberdade de navegação comercial, com excepção de navios sauditas, mas a sua aliança com o Irão põe em
causa a viabilidade da Rota do Suez a que se junta o recrudescimento da pirataria na costa da Somália.
Além de representar entre 12% a 15% do tráfego comercial marítimo global, o Estreito de Bad al Mandab é vital para as exportações de petróleo da Arábia Saudita.
Riade, a braços com o bloqueio do Estreito de Ormuz, terá passado a transitar mais de 70% das exportações de crude através do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, alvo de bombardeamentos houthis.
A refinaria saudita de Jizan, junto à fronteira com o Iémen e com capacidade de processar 400 mil barris/dia, tem sido, igualmente, alvo de ataques houthis, desde que os aliados de Teerão retomaram os combates contra a coligação sedeada em Áden e a Arábia Saudita.
A produção saudita caiu em Agosto para 6,24 milhões de barris/dia, o nível mais baixo desde 1990, contribuindo para a quebra na produção global que se quedou no mês passado em 100 milhões de barris/dia, segundo as estatísticas da «Agência Internacional de Energia».
A produção de crude e produtos refinados, tal como as exportações de gás natural, oriundas da região do Golfo Pérsico, estão condicionadas pelo impasse na guerra entre o Irão e os Estados Unidos.
Sem solução militar ou diplomática à vista a trégua intermitente obriga à negociação de expedientes para garantir o tráfego no Estreito e Ormuz.
Alguns compromissos poderão, eventualmente, também possam vir a ser considerados para o Bad al Mandab se os houthis conseguirem consolidar o seu domínio.
Na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos, em Fevereiro, Teerão criou uma «Autoridade para o Estreito do Golfo».
O pagamento de 2 milhões de dólares por direito de passagem de navio comercial na rota de Ormuz – por onde transitavam aproximadamente 20% das exportações globais de crude, refinados e gás natural – foi uma das exigências expressas por Teerão, mas ao longo dos meses a situação alterou-se.
O bloqueio norte-americano pesa agora sobre as exportações de crude iraniano que não terão ultrapassado 250 mil barris/dia em Agosto na estimativa da «Kpler», uma das principais agências de monitorização de tráfego comercial.
Apenas 9 milhões de barris de crude/dia e 1 milhão de barris de refinados/dia produzidos nos demais países do Golfo passaram, por sua vez, pelo Estreito de Ormuz, bastante abaixo de volumes estimados
em pelo menos 14 milhões de barris de petróleo/dia no início deste ano.
Se Omã, que partilha o Estreito de Ormuz com o Irão, e demais estados do Golfo aceitarem ser devido o pagamento de uma portagem por trânsito comercial, conforme pretende o Irão, estará em risco o princípio de livre-trânsito da «Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar».
Uma portagem em tudo diferente de uma taxa por serviços prestados terá consequências negativas sobre a liberdade de trânsito comercial no Estreito de Malaca e no Mar da China Meridional.
A guerra nos Estreitos de Bad al Mandab e Ormuz é uma das emergências da economia e segurança globais a aguardar melhores dias.
Texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945
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