O choque do colapso fronteiriço do final de Julho, «uma invasão» no dizer do Alcaide-Presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do «Partido Popular», irá reverberar Primavera adentro.
Está por pouco, será no primeiro domingo de Setembro, e é bem possível que a extrema-direita arrebate, pela primeira vez, a maioria absoluta num dos 16 estados da Alemanha.
À eleição na Alta Saxónia, seguir-se-á, duas semanas depois, a votação no Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, outro antigo estado da defunta República Democrática Alemã, e também aí as sondagens dão vantagem à «Alternativa para a Alemanha».
O Outono será agreste para a periclitante coligação de conservadores e social-democratas do chanceler Friedrich Merz e o temor a nova vaga de ucranianos em fuga de cidades sem electricidade nem água far-se-á sentir de forma cada vez mais aguda.
As eleições intercalares para o Congresso de Washington do início de Novembro em nada desvanecerão a incerteza e a angústia crescentes que se sentem na maior parte das capitais europeias. Ninguém sabe o que esperar da Casa Branca de Trump.
Por essa altura, a Espanha ainda estará a tentar processar pedidos de asilo dos cerca de 10 mil adultos e menores que se encontram presentemente em Ceuta e irão ouvir-se apelos à remigração.
Remigração é a alternativa ao colapso da política comum de migração e asilo dos 27, aos barcos de clandestinos que atravessam o Canal da Mancha, às atribulações com centros de triagem fora do espaço europeu e aos polémicos acordos de contenção de migrantes na Turquia ou Tunísia.
A revisão do direito de asilo, o fim de qualquer migração indesejável, é a palavra de ordem da extrema-direita para expulsão de estrangeiros detestáveis, ou seja, qualquer indivíduo que ameace uma alegada homogeneidade cultural, religiosa ou racial.
Conservadores, liberais, social-democratas e socialistas estão longe de conseguir apresentar e levar a cabo políticas de integração e regulação de migrações, capazes de conter a insegurança de estatuto de largos estratos dos seus nacionais.
Em muitos casos está-se em vias de ultrapassar o limiar de tolerância e aceitação de comunidades com valores e comportamentos distintos e frequentemente antagónicos à ordem estabelecida e às normas maioritariamente tidas como desejáveis.
O choque do colapso fronteiriço do final de Julho, «uma invasão» no dizer do Alcaide-Presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do «Partido Popular», irá, assim, reverberar Primavera adentro.
Há muito, muito tempo, a publicação, em 1973, de um romance distópico começou a seduzir a extrema-direita francesa com a visão do desembarque na Côte de Azur de centenas de milhares de miseráveis, «pequenos monstros», «selvagens», vindos do Delta do Ganges.
O autor, Jean Raspail – jovem militante fascista durante a Ocupação nazi –, antevia o fim do «mundo branco», a Europa como o «esgoto do Terceiro Mundo», nesse romance «O Campo dos Santos».
Europeus pusilânimes, sem sequer demonstrarem a virilidade dos muçulmanos que recusam ceder terreno, capitulam sem resistência à chegada dos barcos dos indianos de «pele escura».
«O Campo dos Santos» – título alusivo aos «sacerdotes de Deus e de Cristo» cercados, no «Apocalipse», pelas «nações dos quatro cantos do mundo» seduzidas por Satanás – fará o seu caminho convertendo-se em livro de culto.
Num prefácio à oitava edição, em 2011, Raspail passava a denunciar também o Islão e seus «mil e quinhentos milhões de fiéis, cuja vanguarda está a ganhar terreno na Europa», com vista a estabelecer-se e dominar.
Quando Raspail foi a enterrar aos 94 anos, em 2020, em Paris, Marine Le Pen, velha admiradora, evitou comparecer ao funeral em que a extrema-direita francesa esteve em peso.
A tanto obrigou o polir de uma imagem mais moderada que Le Pen cultivava desde a conversão, em 2018, da «Frente Nacional» em «Convergência Nacional».
O espírito de Raspail, no entanto, guia ainda Marine Le Pen para afrontar a borrasca que afronta no mar alteroso que agora navega na quarta tentativa de aportar ao Eliseu.
Na próxima Primavera é bem possível que também nos espere mais esta desgraça.
Texto escrito segundo o Acordo Ortográfico de 1945
O choque do colapso fronteiriço do final de Julho, «uma invasão» no dizer do Alcaide-Presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, do «Partido Popular», irá reverberar Primavera adentro.
Zhu Rongji ao assumir a chefia do governo, em 1998, desencadeou uma série de reformas que definiriam até hoje as principais características do capitalismo de estado comunista.
De inteligência remediada e rasteira condição perverte as palavras, dizendo, por exemplo, que ilegalidade é informalidade ou alardeando uma trapaça como «puro acto de boa gestão».
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