Sábado – Pense por si

Eurico Reis
Eurico Reis Juiz Desembargador Jubilado
06 de setembro de 2026 às 12:04

Começar de novo - Quando será que vão parar de ajudar André Ventura?

A 8 de setembro será debatida uma moção de censura ao governo apresentada pelo Chega. Efectivamente, o que André Ventura e os seus fiéis seguidores pretendem é continuar a ser o centro das atenções do mundo mediático.

No próximo dia 8 deste mês de setembro de 2026 irá ser debatida na Assembleia da República uma moção de censura ao governo apresentada pelo Chega. Nesse mesmo dia, antes desse debate, está agendada a audição em Comissão desse Parlamento do ministro da Administração Interna cuja actuação constitui o motivo invocado para a apresentação daquela moção de censura.

Não sei o que andará a circular pelas redes sociais (por vontade pessoal, não tenho conta nesses meios manipulação da realidade e de disseminação de falsas notícias), mas como é claro para todos e todas que não prescindem de usar o seu pensamento racional, il capo Ventura e os seus apaniguados e as suas apaniguadas não estão interessados no apuramento da verdade dos factos.

Efectivamente, o que André Ventura e os seus fiéis seguidores (e fiéis seguidoras) pretendem é continuar a ser o centro das atenções do mundo mediático e manter a narrativa de que só eles conseguirão salvar Portugal “das garras da corrupção do Sistema”.

E o que sinceramente me aflige é verificar como aquele bando de mentirosos e corruptos (todos moralmente corruptos e alguns deles até acusados materialmente de o serem) tem sucesso nessas suas intelectualmente primárias manobras de propaganda e acaba por colher o apoio de tanta gente.

Mas isso também acontece porque os políticos dos dois principais “partidos do Sistema” (PSD e PS - o CDS não conseguiria sobreviver fora da AD), no seio dos quais existe igualmente gente que, ostensivamente, mente muito e, muitas vezes, de forma alarve e despudorada, e, fundamentalmente, porque os problemas essenciais da população não estão a ser resolvidos.

Não estão a ser resolvidos e, pior do que isso, não existe qualquer espectativa de que o venham a ser num futuro próximo, sendo que, pelo contrário, é patente que não existe vontade política de encontrar para esses problemas uma solução permanente e estável.

O descontentamento dos portugueses e das portuguesas é grande e é justificado e aqueles e aquelas que não prescindem de usar o seu pensamento racional sabem bem que no nosso país não existe um regular funcionamento das instituições e os detentores do poder político não só nada fazem para corrigir esse mal (porque é mesmo um mal), como negam “a pés juntos” essa evidência.

E o “caso Luís Neves” é apenas um exemplo desse mais do que inegável não regular funcionamento das instituições.

Exemplo gritante, acrescento, mas não o único, pois a ele se somam outros, como as questões relativas à Saúde, à Educação, à Segurança Social, à Defesa Nacional e à Justiça.

Mas com esses “casos” o Chega não se preocupa, nem os leva a propor moções de censura ao governo.

Insisto, André Ventura e o Chega não querem, nunca quiseram e nunca irão querer, resolver os problemas do país.

A eleição do actual Presidente da República foi, em minha opinião, um grito de socorro contra essa situação e, sempre a meu ver, mostrou que a esmagadora maioria dos cidadãos e das cidadãs do país não alinha com a revolta cega, irracional, desproporcionada e destrutiva daqueles que votam em André Ventura e no Chega.

Acontece, porém, que as instituições, e em especial os órgãos de soberania nacionais não estão a mostrar saber - ou ser capazes de - assumir as suas responsabilidades.

Ou melhor, porque essa assunção de responsabilidades não pode ser diluída no anonimato de uma entidade colectiva, são os homens e as mulheres que dirigem essas instituições e que ocupam esses lugares de poder soberano, que não estão a mostrar saber - ou ser capazes de - assumir as suas responsabilidades.

E enquanto isso acontecer é inevitável que cresça nas pessoas essa revolta cega, irracional, desproporcionada e destrutiva. Revolta que, ironia cruel, é unicamente destrutiva e dela nunca resultará a resolução dos problemas que a geram.

Existe uma palavra para esse estado de espírito, a saber, niilismo.

E a História da Humanidade mostra bem quais as terríveis consequências que resultam para os seres humanos quando esse tipo de pensamento é colocado em prática.

Cabe às pessoas e aos partidos que têm Memória e não esquecem as tragédias do passado mostrar que existe um outro caminho que não é o de perpetuar os inegáveis vícios de que padece o sistema democrático, nem o de alinhar na revolta cega, irracional, desproporcionada e unicamente destrutiva que alimenta il capo André Ventura e os seus seguidores e as suas seguidoras.

Mas, porque em Portugal o Presidente da República é eleito por sufrágio directo e universal para poder ter a força para assegurar o normal funcionamento das instituições, cabe a António José Seguro assumir as suas responsabilidades.

Para bem de todos nós, inclusive dele próprio, indispensável que o faça.

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