Brincar às escondidas é uma forma de civilizar o corpo, ganhar consciência da diversidade humana, obter uma consciência de cultura universal, respeito pelos outros independente da sua condição e resolução de problemas e conflitos com os amigos.
Volto a insistir mais uma vez no valor pedagógico, terapêutico e humanista que o brincar e o jogo tem em todas as etapas do desenvolvimento humano. Vivemos no presente um momento de grande crise de mudanças e formas de transição a nível do mundo global (digital, ecológica, educacional, social e política) promovendo grandes tensões locais, nacionais e internacionais, grande incerteza, sofrimento, assimetrias sociais, falta de identidade e um aumento preocupante de uma cultura neurótica que atinge o contexto da saúde, familiar, escolar, laboral, jurídica, segurança e funcionamento das instituições e organizações politicas. Estas encruzilhadas de desenvolvimento da humanidade são recorrentes e sempre aconteceram na história da nossa civilização. As soluções para a construção de um mundo melhor serão encontradas nesta aparente crise do "Homo Sapiens", a emergência do "Homo Biónico" e a redescoberta do "Homo Ludens". No seio desta desorientação em que vivemos, resta-nos voltar a compreender a essência de brincar em todas as idades, contextos de vida, situações geográficas e situações culturais e sociais.
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