Outras Pandemias - A Mutilação Genital Feminina
Carla Oliveira
18 de fevereiro

Outras Pandemias - A Mutilação Genital Feminina

As descrições sobre a forma como é efectuada a mutilação genital e os relatos das vítimas de tal tortura são arrepiantes. Falam-nos de meninas muito novas, algumas pouco mais do que bebés.


Podendo revestir diversas formas, a Organização Mundial de Saúde tem descrito, em termos genéricos, a mutilação genital feminina como a remoção ou corte dos lábios e do clitóris, tratando-se de um procedimento que fere os órgãos genitais femininos e que ocorre sem qualquer justificação médica. Os números da ONU apontam para mais de 200 milhões as meninas e as mulheres que, no mundo, são sujeitas a mutilação genital feminina. Tal prática, uma violação dos direitos humanos, está essencialmente concentrada em África e no Médio Oriente mas ocorre igualmente em alguns locais da Ásia e da América Latina. E verifica-se também, no seio das comunidades de imigrantes dessas zonas, um pouco por todo o Mundo. Só na Europa, o número de vítimas que aqui residem, é apontado como sendo superior a meio milhão.

As descrições sobre a forma como é efectuada a mutilação genital e os relatos das vítimas de tal tortura são arrepiantes. Falam-nos de meninas muito novas, algumas pouco mais do que bebés, reunidas em grupo, colocadas em casas ou mesmo em florestas e que são sujeitas, em conjunto, a mutilação por alguém que, sem qualquer tipo de conhecimento médico, se dedica a tal prática. Tudo ocorre em ambiente não esterilizado, sem qualquer tipo de anestesia e, na maioria dos casos, o instrumento utilizado é uma única lâmina que é usada, sem desinfecção, em todas elas. É-lhes tapado o rosto, são atadas e agarradas enquanto são cortadas. Descrevem a dor como atroz e dilacerante e suportam-na sem qualquer analgésico. Algumas não sobrevivem. E dessas, diz-se, que foram levadas pelos espíritos maus.

As demais vivem com aquele momento para o resto das suas vidas. O sofrimento e as sequelas físicas e psicológicas são permanentes.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login