O outro lado da lei
Carla Oliveira
19 de março

O outro lado da lei

O coração dos juízes aquece sempre um bocadinho quando uma das vidas que se cruza com a sua tem um final feliz.

A imagem que se tem dos Tribunais é fria e distante. Um local austero, onde os sentimentos não têm lugar. A isenção, o rigor e a disciplina imperam. Os juízes, esses são vistos como seres desprovidos de sentimentos, que julgam de acordo com a lei e com a razão. Não têm coração e são incapazes de sentir empatia. Os casos que julgam não os tocam e quando os terminam são esquecidos.

Será?

Não me esqueço do olhar desesperado e das lágrimas silenciosas da Marta. Tinha 13 anos quando, depois de saber que a mãe tinha uma doença terminal e que não regressaria do hospital, percebeu que o pai não a "podia receber" por a nova mulher não aceitar que ela vivesse com eles. Não tinha outros familiares próximos e a única alternativa era a institucionalização. Cabia ao Tribunal explicar-lhe a situação e era isso que estava a fazer. Ela pediu-me, a custo entre as lágrimas que caíam, que perguntasse ao ex-companheiro da mãe, se poderia ficar a viver com ele por uns tempos, só até se habituar à ideia de ir para uma instituição. Gostava dele e sabia que ele também gostava dela, talvez aceitasse. O telefonema foi feito e o ex-padrasto deslocou-se ao Tribunal onde aceitou, de imediato, cuidar temporariamente da Marta.

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