A Justiça e a História
António Ventinhas Magistrado
24 de fevereiro

A Justiça e a História

A história de Portugal não foi feita só de actos heroicos, como defendia a propaganda do Estado Novo. Aos olhos dos dias de hoje, muitas das acções de algumas personalidades célebres são até condenáveis. Com os seus defeitos e virtudes construíram o país em que vivemos.

Nos últimos meses, a história de Portugal, os nossos monumentos e símbolos têm sido amplamente discutidos. Há quem defenda a destruição de estátuas de figuras emblemáticas e, mais recentemente, um deputado até defendeu a destruição do padrão dos descobrimentos. Muitos pretendem um corte radical com o passado.

Estes movimentos não são exclusivos do nosso País. Na República Popular da China, a Revolução Cultural foi um movimento poderoso que visou uma alteração radical da sociedade e eliminar tudo o que estava para trás. Procuraram eliminar-se tradições, destruíram-se locais religiosos, históricos e culturais. Num país com uma história milenar, tentou apagar-se o passado de forma violenta, como se o início do tempo começasse a partir da Revolução. As consequências foram devastadoras a vários níveis e ainda hoje se fazem sentir. O próprio Partido Comunista Chinês veio mais tarde repudiar esse movimento.

No Afeganistão, os talibãs dinamitaram estátuas de Buda do século VI que tinham 55 metros de altura. Depois dos monumentos terem sido destruídos foi efectuada uma grande festa, como se o islamismo tivesse vencido o budismo. Para estes radicais, os símbolos de outras religiões devem ser destruídos, como forma de afirmar a supremacia do Islão. 

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