O relato do treinador João Mota em Abu Dhabi: "Já houve indicações, mas tudo em árabe..."
Técnico do Al Ittihad Sports Club diz que se houver possibilidade de ir embora, vai "imediatamente". Explosões na cidade na sequência do ataque com mísseis de Israel e dos EUA ao Irão
O treinador português João Mota é treinador do Al Ittihad Sports Club, em Abu Dhabi, e foi surpreendido esta manhã com as explosões na sequência do ataque com mísseis de Israel e dos EUA ao Irão. Há já o registo de pelo menos um morto em Abu Dhabi após os Emirados Árabes Unidos intercetarem mísseis iranianos.
"Fui completamente apanhado de surpresa. Um amigo meu que é jornalista no Qatar disse-me que um míssil tinha caído aqui e fiquei ainda mais preocupado quando comecei a ver as notícias. Caiu já mais um míssil no Dubai, já há um morto e o Burj Khalifa foi evacuado. A Jordânia também já foi atacada, por isso as bombas estão a chegar aos vários países aqui à volta", relatou a Record.
O técnico de 59 anos, que reside em Al Ain, que pertence ao emirado de Abu Dhabi, conta também que não foi contactado pelo clube até ao momento e que ainda está a decidir qual o próximo a tomar. No entanto, garante que pretende sair do país o mais rápido possível.
"Já falei com a minha mulher e queremos ir embora o quanto antes, só que o espaço aéreo está fechado. Não sei bem ainda o que fazer, mas se calhar vou tentar falar com a embaixada. Nunca passei por algo assim. Quando estive na Jordânia, vi mísseis a passar por cima, mas nunca caíram onde estava. Também ainda não falei com ninguém do clube, até porque dois 'managers' estão fora do país - um no Egito e outro no Paquistão. Temos jogo hoje e ainda não recebi qualquer indicação se vai haver ou não", explica.
Também esta manhã, em declarações à CNN Portugal, João Mota foi questionado sobre se as autoridades já deram recomendações à população e diz que "já houve indicações mas tudo em árabe". "Ainda não consegui traduzir para ver o que se está a passar. Se houver possibilidade de me ir embora, vou imediatamente. Vamos esperar que não seja nada de grave", concluiu.