Bombardeamento de escola no Irão resultou de erro do Exército dos EUA
Trump tinha negado qualquer envolvimento dos EUA e atribuiu a culpa ao Irão, antes de recuar e afirmar que “aceitaria” o resultado da investigação.
Um erro nas coordenadas do Exército norte-americano está na origem do bombardeamento de uma escola no Irão, que fez pelo menos 175 mortos, na sua maioria crianças, segundo noticiou esta quarta-feira o jornal The New York Times, que cita um inquérito preliminar.
Segundo as autoridades iranianas, a explosão em Minab, no sul do país, ocorreu no primeiro dia da ofensiva aérea dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, 28 de fevereiro, e matou pelo menos 175 pessoas – não tendo até agora sido possível verificar de forma independente o número de mortos e as circunstâncias do incidente. O jornal nota ainda que este ataque ficará registado como um dos erros militares mais devastadores das últimas décadas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha negado qualquer envolvimento dos Estados Unidos (EUA) e atribuído a culpa ao próprio Irão, antes de recuar parcialmente e afirmar que “aceitaria” o resultado da investigação. De acordo com o The New York Times, que cita responsáveis norte-americanos e fontes próximas do inquérito, o míssil Tomahawk foi mesmo disparado pelo Exército norte-americano.
“O ataque de 28 de fevereiro ao edifício da Escola Primária Shajarah Tayyebeh resultou de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas dos EUA, que estavam a atacar uma base iraniana adjacente, da qual o edifício da escola outrora fizera parte, segundo as conclusões preliminares da investigação”, escreveu o diário nova-iorquino.
A escola fica no mesmo quarteirão do que edifícios utilizados pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, um dos principais alvos dos ataques militares dos EUA. O local da escola fazia originalmente parte da base militar e segundo fontes locais, não é claro quando a escola foi inaugurada.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão mais de 1.200 civis mortos, entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, para cujo cargo foi entretanto escolhido o seu segundo filho, Mojtaba Khamenei.