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Zelensky organiza eleições se Rússia concordar com trégua e avisa Trump: "É o nosso povo que escolhe o líder"

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A declaração foi feita um dia depois de Trump declarar que “é tempo de a Ucrânia encontrar outro presidente”.

Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, assumiu que se a Rússia der uma trégua de 60 dias organizará eleições presidenciais. Disse ainda que  são os ucranianos que escolhem quem os lidera, respondendo ao apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a sua substituição.

Volodomyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Volodomyr Zelensky, presidente da Ucrânia AP

Numa entrevista à ABC presidente da Ucrânia declarou: “Por favor digam a Putin, dê-nos dois meses, 60 dias, de cessar-fogo total e nós organizaremos eleições”. "Estaremos prontos para aceitar qualquer escolha do nosso povo", acrescentou.

Trump tinha sugerido no sábado que o povo ucraniano arranjasse "um novo Presidente", após os ataques ucranianos a refinarias russas no sábado, na sequência de um acordo assinado na sexta-feira entre Washington e Moscovo para o fornecimento de gasóleo russo aos norte-americanos. "Com todo o respeito pelo Presidente Trump, é a nossa sociedade, o nosso povo, que escolhe quem é o líder", declarou Zelensky na entrevista.

Zelensky admitiu uma "semana difícil" para o seu país, tendo contado 196 ataques aéreos russos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia, e a morte de 153 civis. O chefe de Estado ucraniano admitiu que continua a contar com "o compromisso de Trump e a sua equipa para parar Vladimir Putin", líder da Rússia, que é "o principal desafio para pôr fim à guerra".

Também hoje, Trump anunciou um "cessar-fogo energético na guerra entre a Rússia e a Ucrânia", sem adiantar mais pormenores, pouco depois de Zelensky ter dito que está disposto a interromper os ataques contra refinarias da Rússia se Moscovo deixar de visar infraestruturas energéticas da Ucrânia. O presidente norte-americano negociou com Putin na sexta-feira um acordo para o fornecimento de gasóleo russo aos Estados Unidos e aos mercados internacionais.

A medida foi justificada por Donald Trump como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro.

Zelensky considerou então que a Rússia "expressou a sua gratidão" a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país, e a Ucrânia intensificou os ataques na Rússia, visando um terminal petrolífero na região de Rostov.

Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.

O primeiro-ministro checo, Andrej Babis, qualificou hoje o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para comercializar gasóleo russo como uma "grande bofetada" para a União Europeia (UE).

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