Sábado – Pense por si

Alexandre Monteiro
Alexandre Monteiro Profiler
11 de outubro de 2026 às 08:00

Não siga a sua paixão! Descubra ...

Ser apaixonado e não ser bom em nada em particular acaba a gastar a vida.

Seguir a sua paixão sem ser bom naquilo que faz é o caminho mais curto para falhar, faça aquilo em que é bom e depois  apaixone-se a fazê-lo. 

Ser apaixonado e não ser bom em nada em particular acaba a gastar a vida a trabalhar nas fraquezas e este é o erro número um. 

Erro nº1: Trabalhar nas fraquezas 

Como mentor de Ceo´s, há uns tempos, um empresário veio ter comigo com uma folha na mão. Tinha feito um exercício de autoavaliação e trazia as fraquezas sublinhadas a vermelho, falar em público, delegar e falta de paciência, durante quarenta minutos, falou do plano que tinha para as corrigir. 

Quando terminou, quis saber em que era realmente bome ele ficou em silêncio, não porque não soubesse, mas porque nunca tinha achado a pergunta importante. 

Desde a escola que nos ensinam que o caminho para crescer é trabalhar nas fraquezas. Se a nota a matemática é boa, a ordem é esquecer a matemática e investir no português. Levamos esta lógica para a vida adulta e passamos décadas a tentar ser peças completas, sem falhas, capazes de tudo e o resultado é quase sempre o mesmo, ficamos razoáveis em muitas coisas e extraordinários em nenhuma. 

No xadrez, ninguém pede ao cavalo que se mova como a torre, o cavalo vale exatamente porque faz o que mais nenhuma peça faz. Quem compreende o tabuleiro não tenta transformar cada peça numa rainha, coloca cada uma onde ela é decisiva. 

O jogo humano funciona da mesma maneir, como mentor de líderes, vejo que os que sobem mais depressa não são os que corrigiram todas as fraquezas, são aqueles que descobriram cedo aquilo  o que fazem melhor do que quase toda a gente e decidiram ser impossíveis de ignorar nesde território e tudo o resto delegam, contratam quem faça a contabilidade, quem desenhe o site, quem organize a agenda, não por preguiça, mas por estratégia. Sabem quanto vale uma hora do seu tempo e que cada hora gasta a lutar contra uma fraqueza é uma hora roubada.  

Erro nº2: Confundir paixão com resultado 

Aqui regressa a paixão, a ilusão irmã da primeira. Toda a gente diz que é apaixonada por alguma coisa, pela música, pelo desporto, pelo próprio negócio, mas a paixão está ligada a uma atividade e uma atividade é muito fácil de adiar. As garagens estão cheias de guitarras que nunca tocaram num palco e de telas que nunca saíram do cavalete. Quem vence não é porque está somente apaixonado pela atividade, é porque é bom no que faz e está obcecado com o resultado. Não quer apenas tocar, quer gravar o disco, não quer apenas gerir uma empresa, quer construir uma que mude o seu setor. 

A diferença parece pequena, mas muda tudo. A paixão pergunta, gosto de fazer isto? A obsessão pergunta, é isto que me aproxima do que quero? E quando a resposta é não, a obsessão corta sem pedir licença. 

Erro nº3: Parecer confiante em vez de ser competente 

A terceira ilusão é talvez a mais vendida do mercado, a confiança. Há livros, palestras e cursos inteiros dedicados a parecer confiante. A postura, o aperto de mão, a voz firme. Mas o que é, afinal, a confiança? É uma tentativa de controlar o que os outros pensam de nós e no jogo humano, é uma aposta perdida à partida. 

Entre numa sala de vinte pessoas com a sua melhor pose e terá vinte leituras diferentes, uns vão admirar a sua presença, outros vão achar que é arrogante, alguns vão ver através da máscara. A verdadeira confiança nasce por dentro e não vem de fora, não depende da opinião de ninguém e há um prémio escondido, quanto mais competente se torna, mais confiança ganha, não a de quem finge que não tem medo, mas a de quem sente o medo e mesmo assim avança, porque sabe exatamente o que está a fazer. A confiança é coragem informada pela competência. 

Erro nº4: Ser disciplinado em vez de consistente 

Por fim, a disciplina. Vivemos num culto da disciplina, rotinas rígidas, listas de verificação, o mesmo procedimento todos os dias. A disciplina tem méritos, mas é limitadora porque não exige pensar e não produz variação e  é precisamente aí que está o seu limite. Foi desenhada para que milhares de pessoas diferentes façam exatamente a mesma coisa, e não deixa espaço para adaptar nem inovar. 

Seja consistente, não apenas disciplinado. A consistência mantém o objetivo e muda o caminho sempre que o terreno o exige. No jogo humano, a disciplina cega perde para a consistência inteligente. 

Voltemos àquele empresário da folha sublinhada a vermelho, o que lhe disse foi simples, o problema nunca foram as fraqueza,  o problema era estar a jogar o jogo errado, ele tentava ser uma peça perfeita quando o que precisava era de compreender o tabuleiro. 

Pedi que virasse a folha e escrevesse, do outro lado, as três coisas em que era excecional, demorou, mas acabou por as escrever. A partir daquele dia, o trabalho passou a ser só um,  tornar estas três coisas tão fortes que mais nenhuma fraqueza importasse. 

Não se trata de corrigir tudo, o que importa é saber onde está o seu poder e colocar esse poder no centro do tabuleiro. 

Melhore as forças, não as fraquezas! 

Persiga resultados, não atividades! 

 Seja consistente e não apenas disciplinado! 

O próximo nível não existe. É criado!  

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