O presidente norte-americano apelou a que o Irão impedisse o Hezbollah de "causar problemas" no Líbano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou voltar a atacar o Irão, “mas com mais força” desta vez, se Teerão não impedir os seus aliados de “causarem problemas” no Líbano, referindo-se ao grupo xiita Hezbollah. Em retaliação, o chefe dos negociadores iranianos aconselhou os Estados Unidos a "pesarem as palavras", durante as negociações na Suíça.
Donald Trump ameaça IrãoAP Photo/Julia Demaree Nikhinson
"O Irão deve imediatamente impedir que os seus aliados altamente bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irão com muita força outra vez, tal como fizemos na semana passada, só que com mais força”, escreveu Donald Trump na sua rede Truth Social.
O memorando de entendimento para pôr fim à guerra, assinado na quarta-feira passada por Trump e pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, prevê a cessação de hostilidades no Líbano entre Israel e Hezbollah.
"Mais vale ponderarem as palavras. As nossas forças armadas estão prontas para responder a elas de forma diferente", disse Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, nas redes sociais, numa referência explícita à mensagem do líder norte-americano.
Apesar de um cessar-fogo ter entrado em vigor no sábado, os combates mantêm-se no sul do Líbano e os ataques israelitas fizeram mais de 120 mortos nas últimas 48 horas, afirmou o Ministério da Saúde libanês. No entanto, os ataques têm vindo a diminuir em frequência e intensidade desde sábado.
As declarações de Ghalibaf surgiram enquanto Teerão e Washington realizam as primeiras conversações na Suíça, mediadas pelo Paquistão e pelo Qatar, desde a assinatura, na semana passada, de um memorando de entendimento destinado a um fim duradouro das hostilidades no Médio Oriente.
A agência de notícias Fars do Irão afirmou que as ameaças levaram à suspensão das negociações. Esta afirmação não foi imediatamente confirmada por uma fonte oficial.
A televisão estatal iraniana relatou esta tarde uma pausa nas negociações na Suíça e adiantou que o programa nuclear iraniano não tinha sido discutido.
"Não houve negociações relativas ao programa nuclear do Irão durante os 80 minutos da primeira ronda de conversações", afirmou, acrescentando que as discussões tinham estado centradas no cumprimento do memorando de entendimento alcançado entre Teerão e Washington, bem como na situação no Líbano.
A primeira cláusula do memorando de entendimento assinado remotamente na quarta-feira por Donald Trump e pelo Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, estipula que os dois países se comprometem a "abster-se da ameaça ou uso da força um contra o outro".
Com Lusa
Trump ameaça atacar com mais força. Irão aconselha EUA a medir palavras
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