Depois de, no ano passado, ter sido condenada por desviar fundos europeus, Le Pen, recorreu da decisão e conhece na terça-feira a sentença.
O Tribunal da Relação de Paris vai prenunciar-se sobre o caso de corrupção que envolve Marine Le Pen na terça-feira, momento que vai ditar se uma das principais candidatas à presidência francesa poderá ou não concorrer nas eleições do próximo ano.
AP Photo/Michel Euler, File
Depois de, no ano passado, ter sido condenada por desviar fundos destinados a assistentes parlamentares do Parlamento Europeu para pagar a funcionários do Reagrupamento Nacional entre 2004 e 2016, Le Pen, de 57 anos, recorreu da decisão.
Caso Marine Le Pen seja realmente condenada e fique impedida de iniciar uma quarta candidata à presidência é esperado que seja Jordan Bardella, bastante próximo da líder do partido Reagrupamento Nacional, a candidatar-se.
Os três cenários possíveis
Absolvição
Ainda assim o melhor cenário para a francesa seria conseguir ser absolvida de todas as acusações. O recurso durou cinco semanas e Le Pen chegou a reconhecer “um erro” uma vez que alguns funcionários que realizavam trabalhos para o partido foram pagos como assessores parlamentares da União Europeu, no entanto insistiu que acreditava que tal era permitido e nunca tentou escondê-lo.
O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, partilhou com os três juízes que a sua cliente “está a confiar em vocês a obra da sua vida, e a questão é se essa obra terminará ou se poderá ser reconstruída”,
Mesmo que Marine Le Pen seja absolvida, os procuradores ainda podem recorrer ao Supremo Tribunal para contestar a decisão e não é certo que uma decisão seja tomada a tempo das eleições de abril de 2027.
Impedimento de se candidatar durante dois anos
O tribunal pode considerar que Le Pen é culpada, mas reduzir a proibição de ocupar cargos públicos para dois anos, ou até não impor proibição alguma.
Como o tribunal de primeira instância ordenou que a proibição entrasse em vigor imediatamente, Le pen está a cumprir essa pena desde 31 de março do ano passado. O que significa que uma proibição de dois anos iria terminar antes da primeira volta das eleições.
Ainda assim isso não significa que Le Pen decida candidatar-se, uma vez que qualquer sentença ou restrições judiciais poderiam prejudicar seriamente a campanha. A própria já referiu que “não se pode lançar uma campanha presidencial no último minuto”
“Se me permitem ser candidata, mas me impedem de efetivamente de fazer uma campanha livre, então isso não seria possível”, referiu Le Pen numa entrevista na passada quarta-feira. A líder do Reagrupamento Nacional já garantiu que a incerteza prolongada, incluindo pelo Supremo Tribunal, a impediria de se candidatar, uma vez que não gostaria de prejudicar o seu partido.
Sentença efetiva
Os procuradores pediram ao tribunal uma sentença de prisão de quatro anos, incluindo três anos de pena suspensa, além da proibição de ocupar cargos públicos eleitos por sufrágio durante cinco anos.
Apesar de os procuradores não o terem solicitado, o Tribunal da relação tem liberdade para ordenas que a proibição de ocupar cargo entre em vigor imediato.
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