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Rússia convoca embaixador da Bélgica para protestar por acusações de ataques híbridos

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Para Moscovo, as declarações "agressivas" de algumas autoridades belgas, que apresentam a Rússia como "um inimigo", contribuem para uma maior escalada da situação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo convocou na terça-feira o embaixador da Bélgica em Moscovo, Michel Gerebtzoff, para protestar contra acusações alegadamente "infundadas" de Bruxelas sobre ataques híbridos de Moscovo.

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov
Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov Michael Kappeler / AP

"Informou-se o diplomata belga que o lado russo rejeita categoricamente as acusações infundadas e cada vez mais frequentes da cúpula político-militar do reino sobre crescentes ameaças híbridas, de sabotagem e militares diretas contra a Bélgica e a Europa, supostamente provenientes da Rússia", afirmou a Chancelaria russa em comunicado.

Segundo Moscovo, as declarações "agressivas" de algumas autoridades belgas, que apresentam a Rússia como "um inimigo", contribuem para uma maior escalada da situação e ameaçam levá-la a um estado de descontrolo.

"Insta-se o lado belga a avaliar as consequências de tais declarações e a reduzir a intensidade da retórica antirrussa, que está a alimentar ainda mais as tensões no continente europeu", conclui a nota oficial.

O ministro da Defesa belga, Theo Francken, afirmou no final de setembro que os serviços de segurança investigaram dezenas de incidentes suspeitos na Bélgica e têm fortes indícios de que a Rússia é responsável por vários deles.

"De facto, houve incidentes. Veja-se, por exemplo, os casos comprovados de drones sobre locais sensíveis", disse Francken no podcast Het Rapport van de Wetstraat, citado pela imprensa belga.

"Os nossos serviços de segurança e o Ministério Público estão a investigar estes incidentes. Em alguns casos, há indícios muito fortes de envolvimento russo. E já fomos atacados. Basta pensar nos inúmeros ciberataques contra as nossas instalações", adiantou.

Apontou ainda o apoio belga à Ucrânia - país onde a Rússia está atolada numa guerra de atrito após a invasão de 2022 --- como a principal razão por detrás dos ataques híbridos.

"O objetivo? Causar instabilidade através da sabotagem e da influência na opinião pública", frisou, alertando que o exército belga deve preparar-se para novos confrontos com a Rússia.

Com o Kremlin a ser acusado de vários incidentes semelhantes noutros países europeus, nomeadamente a Alemanha, a 28 de setembro os ministros da Defesa da União Europeia discutiram pela primeira vez um novo protocolo de emergência para responder às ameaças híbridas russas, incluindo sabotagem, violações do espaço aéreo e incêndios criminosos.

Theo Francken descreveu a Rússia como a maior ameaça à segurança belga e defendeu defesas aéreas mais fortes, com tecnologia ucraniana contra os drones russos a jato.

Disse ainda que a guerra híbrida não é algo que Moscovo tenha começado há dois anos, mas que pratica há 50.

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