Aponta-se a ausência de uma entidade responsável pela avaliação e gestão do risco representado pelo autor do ataque e denunciam-se "falhas críticas na partilha de informação", com dados essenciais que "foram repetidamente perdidos, diluídos ou mal geridos".
O ataque de Southport, Reino Unido, durante o qual morreu a lusodescendente Alice Aguiar dos Santos, "era previsível e evitável", segundo um relatório das autoridades, que revelou falhas significativas na coordenação entre os pais do assassino e as autoridades.
Ataque em Southport no Reino UnidoAP
No documento, resultado da primeira fase do inquérito público à tragédia, aponta-se a ausência de uma entidade responsável pela avaliação e gestão do risco representado pelo autor do ataque e denunciam-se "falhas críticas na partilha de informação", com dados essenciais que "foram repetidamente perdidos, diluídos ou mal geridos".
Em 2024, o assassino Axel Rudakubana, na altura com 17 anos, atacou uma aula de dança infantil na cidade costeira de Southport, matando com uma faca Alice da Silva Aguiar, de nove anos, Elsie Dot Stancombe, de sete anos, e Bebe King, de seis anos, e feriu outras oito meninas com idades compreendidas entre os sete e os 13 anos, bem como dois adultos.
"A ataque de 29 de julho não teria ocorrido se os pais tivessem informado as autoridades sobre tudo o que sabiam nos dias que antecederam o ataque, incluindo no próprio dia", criticou o presidente do inquérito público ao ataque, o antigo juiz Adrian Fulford.
Fulford acrescentou, durante a apresentação do relatório, que, "se as agências competentes, individualmente e em conjunto, tivessem gerido e respondido adequadamente ao perigo conhecido que ele representava desde dezembro de 2019, é altamente provável que este evento não tivesse acontecido".
Segundo o relatório, o jovem demonstrava há anos um comportamento violento e obsessivo com armas e conteúdos radicais na Internet.
"A história poderia ter seguido um curso totalmente diferente", sublinhou Fulford.
O juiz disse que "uma intervenção mais precoce e eficaz teria provavelmente levado ao reconhecimento da sua fascinação pela violência e revelado delitos criminais já cometidos ou em preparação".
Fulford reconhece que o comportamento do jovem era difícil em casa, mas lembra que os pais sabiam que ele tinha comprado armas e tentado sair para cometer um ataque na antiga escola uma semana antes.
Outra das conclusões apontadas foram a "falta de supervisão da atividade online" do autor do ataque, considerando que os seus comportamentos na Internet "revelavam de forma clara as suas obsessões violentas", mas "nunca foram devidamente analisados".
O responsável apontou também para "uma compreensão errada do autismo", referindo que o comportamento foi "indevidamente atribuído à sua perturbação do espetro do autismo", o que levou à inação face a sinais evidentes de perigo que poderiam ter evitado o ataque.
O relatório será seguido por uma segunda fase do inquérito, que deverá aprofundar as responsabilidades individuais e propor medidas para reforçar os mecanismos de proteção juvenil e prevenção de violência.
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