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Políticas de Trump empurram população mundial para o lado da China

Luana Augusto
Luana Augusto 15 de janeiro de 2026 às 16:02
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Maioria dos europeus não considera os EUA um aliado confiável, aponta sondagem. Maioria da população mundial vê Pequim como "aliada".

As políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão a incitar uma maior aproximação das pessoas à China. Esta é a principal realizada à população mundial pelo European Council of Foreign Affairs (ECFR) e que mereceu a colaboração da Universidade de Oxford e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Donald Trump e Xi Jinping
Donald Trump e Xi Jinping DR

A mesma sondagem refere que cada vez mais pessoas veem Pequim como uma aliada ou parceira necessária. Na África do Sul 85% dos inquiridos têm esta opinião, na Rússia são 86% e no Brasil 73%. Apenas na Ucrânia (55%) e a Coreia do Sul (51%) a maioria dos inquiridos vê esse país como rival. Já os europeus, a maioria não considera os EUA um aliado confiável.

A mesma sondagem aponta ainda que grande parte das pessoas acredita que a China está prestes a tornar-se ainda mais poderosa e que a influência global do país deverá crescer mais na próxima década. Isso é especialmente notório na África do Sul (83%), no Brasil (72%) e na Turquia (63%).

O mesmo não acontece com os Estados Unidos: grande parte do mundo acredita que os país continuará a ser relevante, mas poucos sugerem que a sua influência vá aumentar, como é o caso da China (34%), a União Europeia (37%) e a Ucrânia (32%). Apesar disso, os inimigos temem cada vez menos os EUA.

Sobre a eleição de Donald Trump, há menos pessoas a considerar a reeleição do norte-americano como positiva. No final de 2024, curiosamente, 84% dos indianos considerava a vitória de Trump positiva para o país, mas agora esse número diminuiu para 54%. 

A Europa vista pelo mundo

As perceções sobre a Europa também estão a mudar. Enquanto a China vê cada vez mais a União Europeia como uma potência que adota posições próprias e distintas dos norte-americanos, a Rússia vê os Estados-membros como adversários. Já nos EUA 40% consideram a União Europeia um aliado e 49% concorda com a opinião de que "a segurança europeia também é a segurança americana".

Os europeus foram considerados os maiores pessimistas do mundo, isto porque, segundo a sondagem, não têm fé na capacidade da União Europeia conseguir negociar no mesmo pé de igualdade que os Estados Unidos ou a China. Além disso, preocupam-se essencialmente com a agressão russa e as suas armas nucleares.

A sondagem envolveu mais de 25 mil inquiridos de 21 países e foi realizada em novembro de 2025 - um ano após a vitória de Donald Trump. As sondagens abrangeram países como os Estados Unidos, China, Índia, Rússia, Turquia, Brasil, África do Sul e Coreia do Sul. Os dados dos portugueses só serão conhecidos a 11 de fevereiro.