No interior de uma prisão do Estado Islâmico

No interior de uma prisão do Estado Islâmico
Octávio Lousada Oliveira 01 de maio de 2017

A habitação de um ex-oficial iraquiano foi usada pelo grupo terrorista para torturar e matar centenas de pessoas perto de Mossul


Na porta, um graffito em jeito de aviso: "Esta casa pertence ao Estado Islâmico." Mas "casa" não passava de um eufemismo para prisão – improvisada pelos jihadistas para torturar e matar quem lhes apeteceu em Hammam al-Alil, uma cidade da margem ocidental do rio Tigre, situada a sul de Mossul (um dos últimos redutos do grupo terrorista no Iraque).

As atrocidades ali cometidas têm sido desvendadas à medida que o Estado Islâmico é expulso de zonas que ocupara. Os relatos multiplicam-se e ganham escala. Yad esteve entre as centenas de detidos pelo grupo terrorista. Sofreu horrores, como recordou ao jornal espanhol El Mundo. "Se não confessares, vou arrancar-te o coração pelas costas!", disse-lhe um dos torturadores. O objectivo era Yad confessar estar (ou ter estado) ao serviço do governo iraquiano, chefiado por Haider al-Abadi.

"Confessa – dizia-me ele – ou matamos toda a tua família!", reforçava Yad. "E, então, pegou num alicate e arrancou-me um dente. A dor foi tanta que desmaiei."
Quando recuperou os sentidos, o torturador continuava ao seu lado, pronto para continuar o trabalho na prisão improvisada em Hammam al-Alil, cidade de onde o grupo terrorista foi expulso há pouco mais de um mês. Sovas intermináveis, privação de sono, descargas eléctricas, os abusos eram intermináveis para obter uma confissão forçada.

Ainda em Novembro, Riyad Ahmed, de 30 anos, contou à Reuters aquilo que vira e ouvira a partir do outro lado da rua. Pelas cortinas do seu quarto espreitava aquele centro de detenção. E sabe o que se passava: "O próprio diabo ficaria espantado com os métodos de tortura do Estado Islâmico. Vão para lá da nossa imaginação." O professor de inglês confessa que passaram muitas semanas mas que é incapaz de expulsar da cabeça os gritos de agonia das vítimas.

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