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Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa e possível candidato presidencial ucraniano

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Enquanto ministro, Fedorov ficou conhecido por substituir soldados no terreno por um “exército de drones”, salvando vidas no campo de batalha e possibilitando ataques ucranianos de longo alcance contra alvos militares russos.

 O ex-ministro da Defesa ucraniana ainda não revela se será candidato à presidência da Ucrânia, mas  Volodymyr Zelensky a marcar eleições por considerar que o país “não pode ficar refém de Putin” e a democracia não pode esperar.  

Mykhailo Fedorov
Mykhailo Fedorov Foto AP/Efrem Lukatsky

Mykhailo Fedorov, de 35 anos, foi , em julho deste ano, depois de um desentendimento com o chefe das forças armadas, Oleksandr Syrskii, que Fedorov acusou de bloquear iniciativas do ministério e a renúncia da primeira-ministra como parte da remodelação governamental de Zelensky. A sua demissão apanhou vários ucranianos de surpresa e  que acabaram por originar a demissão do comandante Syrskii, no entanto Fedorov não regressou ao cargo.   

Anteriormente o especialista em tecnologia tinha sido também vice-primeiro-ministro e Ministro da Transformação Digital. Fedorov ficou conhecido por ter substituído soldados no terreno por um “exército de drones”, salvando vidas no campo de batalha e possibilitando ataques ucranianos de longo alcance contra alvos militares russos.  

Mykhailo estudou na Universidade Nacional de Zaporizhzhia e concorreu pela primeira vez ao parlamento ucraniano em 2014 como membro do partido político 5.10, no entanto o partido não ultrapassou os 5% necessários para chegar ao parlamento. Depois das eleições presidenciais de 2019, Fedorov tornou-se conselheiro de Zelensky e conseguiu um lugar no parlamento na lista do Servo do Povo.  

Apesar de não nunca ter confirmado a sua candidatura a umas eventuais eleições, uma sondagem recente do centro Socis refere que o antigo ministro ficaria em terceiro lugar, com 13,1% das intenções de voto, atrás do atual embaixador da Ucrânia no Reino Unido (21,4%) e de Zelensky (22,3%). No entanto é previsto que, numa segunda volta, Zelensky perdesse contra qualquer um dos dois.  

É conhecido que Fedorov pretende ir aos Estados Unidos nas próximas semanas para se reunir com Elon Musk, apesar de já não pretencer à administração ucraniana, e pedir-lhe que estenda o sistema de comunicações via satélite Starlink ao espaço aéreo russo, para ajudar os ataques ucranianos. “Precisamos de manter o contacto, independentemente da minha posição. Tenho um histórico de sucesso a trabalhar com elas [empresas de tecnologia] e preciso manter os contatos, pelo bem do meu país”.  

A Ucrânia está sob a lei marcial desde a invasão da Rússia, pelo que desde 2022 que não se realiza qualquer ato eleitoral – o mandato de cinco anos de Zelensky, em situações normais, teria acabado em maio de 2024. No entanto Fedorov acredita que o país tem o “direito moral” de falar sobre o assunto. Numa entrevista à BBC afirmou: “Não devemos ter medo de discutir isto. É disso que se trata a democracia. Se eu não posso partilhar as minhas ideias e ser transparente com a minha própria sociedade, então por que estamos a lutar?”. 

Na passada terça-feira Fedorov já tinha publicado um vídeo nas suas redes sociais em que defendeu que a Ucrânia deve “restaurar o processo democrático completo, mesmo durante uma guerra prolongada”. O ex-ministro optou por nunca desafiar diretamente Zelensky e defender antes que os ucranianos não podem deixar “que Putin decida quando os ucranianos podem escolher o seu Governo”. “A democracia não é um luxo do tempo de paz”, defendeu.  

Ainda assim vale a pena reforçar que a realização de eleições em tempo de guerra representa bastantes desafios. Antes de mais, a existência de um dia em que todos os ucranianos fossem chamados às urnas daria informação à Rússia para poder planear ataques, depois teria de ter em conta os milhões de pessoas que atualmente estão exiladas, o milhão de combatentes das forças armadas e o facto de um quinto do território estar sob ocupação russa.  

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