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Fedorov volta a desafiar Zelensky a marcar eleições: "Ucrânia não pode ficar refém de Putin"

Isabel Dantas 23 de agosto de 2026 às 13:08

Ex-ministro da Defesa não revela se será candidato ou se apoiaria o atual presidente.

Mykhailo Fedorov não diz se será candidato à presidência da Ucrânia, mas voltou a desafiar Volodymyr Zelensky a marcar eleições. O ex-ministro da Defesa, despedido depois de um desentendimento com chefe das forças armadas, explicou numa entrevista à BBC que o país "não pode ficar refém de Putin" e que a democracia também não pode esperar. 

Fedorov quer eleições na Ucrânia mas não diz se será candidato AP

A Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão da Rússia, em 2022, pelo que não há, desde essa altura, qualquer ato eleitoral. Mas Fedorov, que já foi apontado como possível candidato - embora não admita, para já avançar - diz que o país tem o "direito moral" de falar sobre o assunto. "Não devemos ter medo de discutir isto. É disso que se trata a democracia. Se eu não posso partilhar as minhas ideias e ser transparente com a minha própria sociedade, então por que estamos a lutar?"

Zelenski já avisou, entretanto, que umas eleições "representam um risco enorme", seriam "um tsunami para o país, que dividirá a Ucrânia". Mas Federov discorda. "Se as eleições nunca fossem realizadas, então deixaríamos de ser uma democracia", sublinhou o ex-governante, de 35 anos, sem dizer se apoiaria uma recandidatura de Zelensky.

Na semana passada foi anunciada uma investigação a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo parlamentares e banqueiros no país. O gabinete anticorrupção da Ucrânia disse ter descoberto um estratagema para desviar mais de 3 milhões de dólares em moeda ucraniana para pagar a fiança de um ex-ministro da Energia acusado de lavagem de dinheiro. 

Um alto funcionário do gabinete de Zelensky, supostamente envolvido no caso, foi despedido e Fedorov questiona até que ponto Zelensky saberia o que se estava a passar. "Deixem que ele responda a essa pergunta. Acredito que esteja preparado para esse tipo de questões. É responsabilidade dele dizer-nos se tinha conhecimento de tudo isto ou não. Mas não quero fazer suposições."

O ex-ministro disse ainda que não tinha tido contacto com o presidente "há algumas semanas" e que não possuía provas de que Zelensky seja corrupto. "Durante todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi qualquer tarefa ou incumbência que fosse contra a lei ou o meu senso de integridade. Essa é a minha experiência pessoal com ele."

Como ministro da Defesa e, anteriormente ministro da Transformação Digital, Fedorov é reconhecido por ter inovado ao substituir soldados no terreno por um "exército de drones", salvando vidas no campo de batalha e possibilitando ataques ucranianos de longo alcance contra alvos militares russos.

Nas próximas semanas pretende ir aos Estados Unidos para convencer Elon Musk a estender o sistema de comunicações via satélite Starlink ao espaço aéreo russo, de modo a ajudar os ataques ucranianos. "As melhores empresas de tecnologia do mundo estão a apoiar-nos e vão investir na nossa vitória, no fim desta guerra. Precisamos de manter contacto, independentemente da minha posição. Tenho um histórico de sucesso a trabalhar com elas e preciso manter contactos, pelo bem do meu país."

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