A promoção da criptomoeda por parte do presidente argentino e o suborno de vários milhões de dólares acontece numa altura em que a realidade económica dos argentinos não é positiva. Ele introduziu medidas de austeridade rigorosas para conter a inflação que desencadeou uma recessão, deixando muitos argentinos na pobreza.
O presidente argentino, Javier Milei, terá aceitado cinco milhões de dólares, cerca de 4,7 milhões de euros, para promover nas redes sociais a criptomoeda $Libra que desvalorizou poucas horas depois de ter sido lançada.
Javier Milei, presidente da ArgentinaLuis Gandarillas/Pool Photo via AP, File
A 14 de fevereiro de 2025 Milei publicou um tweet, agora apagado, a publicitar a criptomoeda $Libra que alegadamente iria “impulsionar o crescimento da economia argentina”. Após a publicação, a $Libra rapidamente atingiu o preço máximo de 5 dólares por moeda, mas desceu para menos de um dólar poucas horas depois, desvalorizando os investimentos de 13 mil detentores de tokens no valor de 250 milhões de dólares.
As revelações sobre um acordo financeiro entre os criadores da criptomoeda, o empresário Mauricio Novelli e o norte-americano Hayden Mark Davis, e o presidente argentino, inicialmente publicadas no mês passado pelo meio de comunicação de investigação argentino El Destape, contradizem as declarações de Milei. Num tweet, agora apagado, o presidente afirma que “obviamente” não tinha qualquer ligação aos organizadores da $Libra e que simplesmente se tinha deparado com ela na internet e decidiu, por livre vontade, promovê-la.
O acordo financeiro recuperado por investigadores do telemóvel do empresário Mauricio Novelli descreve pagamentos de 1.5 milhões de dólares, 1.5 milhões e 2 milhões efetuados em três fases a entidades ligadas a Milei.
O primeiro milhão e meio seria como uma espécie de pagamento adiantado e o segundo seria pago depois de Milei ter anunciado no Twitter a moeda e Hayden David como seu conselheiro. Por fim, os dois milhões seriam pagos depois de “um contrato assinado pessoalmente por Milei para consultoria em Blockchain/IA para o governo argentino e/ou Javier Milei e uma revisão com Javier e Karina [a irmã do presidente] ao longo dos dois trimestres”, segundo o acordo.
Segundo o jornal argentino La Nación, registos de chamadas de Novelli revelam ainda que o presidente contactou o empresário pelo menos cinco vezes nos minutos que antecederam a sua promoção do $Libra. Na altura das chamadas, o empresário estava no Texas com outros criadores da criptomoeda, nomeadamente Hayden Mark Davis que Milei tinha concordado em nomear como conselheiro.
Dias depois da moeda ter ido à falência, numa entrevista ao canal televisivo argentino TN, Milei afirmou que tem o hábito de promover projetos empresariais que considera vantajosos para a Argentina. “Compartilhei como centenas de outras coisas que, assim que vejo, publico”, disse.
De facto esta não é a primeira vez que o presidente argentino publicita algo semelhante. Em dezembro de 2018, depois de ter assumido o cargo como deputado federal, promoveu uma empresa de finanças digitais, CoinX, no Instagram. Também foi à falência e resultou em milhares de pessoas lesadas e o seu fundador preso.
A promoção da criptomoeda por parte de Milei e o suborno de vários milhões de dólares acontece numa altura em que a realidade económica dos argentinos não é positiva. Segundo o jornal britânico The Guardian, o presidente introduziu medidas de austeridade rigorosas para conter a inflação que desencadeou uma recessão, deixando muitos argentinos na pobreza.
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