Hoje, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ameaçou que a Ucrânia vai responder se a Rússia não aceitar uma trégua energética este inverno.
O Kremlin recusou esta segunda-feira dizer se adere a uma trégua com a Ucrânia nos ataques a infraestruturas energéticas, mas defendeu como preferível uma "paz duradoura", afirmando manter contactos sobre o cessar-fogo anunciado unilateralmente por Donald Trump.
Porta-voz da presidência russa, Dmitri PeskovKremlin de Moscou/picture-alliance/dpa/AP Images
"Os contactos continuam. Assim que tivermos algo a dizer sobre o assunto, não deixaremos de vos informar", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, durante a sua conferência de imprensa.
Questionado sobre o apelo de Kiev a um cessar-fogo total de 60 dias para permitir a realização de eleições, Peskov respondeu: "Não queremos um cessar-fogo, queremos uma paz duradoura".
Hoje, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ameaçou que a Ucrânia vai responder se a Rússia não aceitar uma trégua energética este inverno, após o anúncio inesperado feito pelos Estados Unidos de um "cessar-fogo" envolvendo infraestruturas energéticas entre Kiev e Moscovo.
"Este inverno, se a Rússia não aceitar um cessar-fogo energético, nós responderemos", afirmou Zelensky durante um discurso por videoconferência num fórum de segurança em Varsóvia.
"Se a Rússia quer que paremos com os nossos ataques de longo alcance contra as suas refinarias e exportações de petróleo, então deve cessar os ataques contra o nosso sistema energético e as nossas infraestruturas críticas. E parar de matar o nosso povo", acrescentou o chefe de Estado ucraniano.
Zelensky sublinhou ainda que, durante a noite de domingo para hoje, a Ucrânia não atingiu nenhuma instalação energética na Rússia, ao contrário de Moscovo, que atacou uma instalação de gás e "um posto de abastecimento de combustível comum".
"Houve violações russas do cessar-fogo energético anunciado pelo Presidente Trump", indicou o Presidente ucraniano, referindo que esta manhã, "drones a jato russos" continuavam "a sobrevoar o céu de Kiev e de outras cidades ucranianas".
Desde o verão, a Rússia intensificou significativamente os seus ataques contra a Ucrânia, visando especialmente a capital com o lançamento de drones a jato, que são mais difíceis de intercetar do que os drones convencionais.
O Presidente ucraniano pediu ainda aos Estados Unidos que mantenham a "pressão" sobre a Rússia, em vez de fazerem concessões.
"Precisamos da pressão norte-americana sobre a Rússia -- não de um alívio das sanções, nem de concessões, mas de uma pressão real --, para que possamos obter pelo menos aquilo de que o Presidente norte-americano falou na sua mensagem (...)", insistiu, referindo-se ao "cessar-fogo energético" anunciado por Trump.
O Presidente norte-americano anunciou sexta-feira, que negociou o fornecimento de quantidades massivas de gasóleo russo aos mercados norte-americano e global, suspendendo, para isso, sanções sobre Moscovo.
Face à escalada dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irão -- desencadeada em fevereiro por Donald Trump e Israel --, este acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente a situação dos consumidores norte-americanos, precisamente antes de eleições legislativas cruciais e difíceis para o multimilionário norte-americano.
Para surpresa geral, Donald Trump anunciou, no domingo, um "cessar-fogo energético" entre a Rússia e a Ucrânia.
"Um cessar-fogo energético e outras medidas para reduzir a escalada e garantir a segurança são realmente necessários aqui, na realidade, e não apenas na Truth Social", a rede social de Donald Trump, declarou hoje Zelensky.
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