Esta reação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica surge após o secretário do Tesouro norte-americano ter avisado que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano considerou esta quinta-feira que as sanções e a “guerra económica” anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Irão constituíam um caso de “terrorismo económico” e de “crimes contra a humanidade”.
IrãoAP Photo/Vahid Salemi
“Não há dúvida de que as sanções económicas norte-americanas contra o Irão, que violam os direitos fundamentais de todos os cidadãos iranianos, constituem um caso de terrorismo económico e de crimes contra a humanidade”, declarou a diplomacia de Teerão num comunicado, divulgado pela agência iraniana IRNA.
“Os seus autores e instigadores merecem ser julgados e punidos por terem cometido tais crimes hediondos”, prosseguiu a nota.
Segundo o ministério, com base na "experiência de sete décadas de resistência abrangente contra as políticas dos Estados Unidos (EUA) de pressão, intervenção, agressão militar e terrorismo de Estado contra o Irão, a República Islâmica do Irão recorrerá a todos os meios e capacidades para repelir a agressão do inimigo israelo-americano e salvaguardar os interesses nacionais do Irão".
"Qualquer governo que acredite nos princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas, incluindo o princípio do respeito pela soberania nacional dos países, não pode permanecer indiferente à persistência da flagrante desrespeito pela lei e da beligerância dos Estados Unidos em relação às normas internacionais fundamentais", acrescentou o comunicado.
Esta reação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica à guerra económica anunciada por Trump surge após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter avisado que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.
"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime", disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo", reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana.
Bessent apelou também à China para que "se alinhe" caso deseje "ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem".
Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos.
Antes das declarações de Scott Bessent, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, já tinha criticado o plano anunciado por Washington, classificando-o como uma continuação de "políticas destinadas ao fracasso".
"O chamado 'Dia D económico' visa desviar a atenção da crise que os Estados Unidos enfrentam: dívida sem precedentes e custos de empréstimo crescentes”, afirmou Araghchi.
Para o ministro, “a continuidade dessas políticas [dos EUA] destinadas ao fracasso só levará a uma derrota ainda maior e à hostilidade dos iranianos".
Na quarta-feira, na sua rede social, a Truth Social, Donald Trump anunciou “a operação económica mais devastadora já realizada contra um país”, referindo-se a uma “guerra económica sem precedentes”, sem fornecer detalhes sobre as medidas em causa.
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