Pelo menos 98 pessoas morreram depois de enchentes repentinas de grandes proporções terem inundado uma área fronteiriça entre o Nepal e a China esta quarta-feira.
Aldeia no Nepal afetada por cheias e deslizamentos de terraAP Photo/Niranjan Shrestha
Centenas de trabalhadores e turistas continuam desaparecidos depois de o rio Bhotekoshi ter transbordado por volta das nove da manhã, horário local, desta quarta-feira. No seguimento, diversas aldeias, estradas e barragem ficaram destruídas.
O gabinete do primeiro-ministro nepalês avançou com pelo menos 95 mortos enquanto a emissora estatal chinesa CCTV informou que o deslizamento de terras no condado de Gyirong, na região do Tibete, perto da fronteira, matou pelo menos três pessoas e deixou 265 desaparecidas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos detetou um terramoto de magnitude 4,4 na escala de Ricther a cerca de 100 quilómetros a norte de Katmandu, perto da fronteira com a região autónoma do Tibete, na China. Imagens captadas por drones mostram estradas e prédios destruídos. As habitações do distrito de Nuwakot foram duramente atingidas e passagem da enchente deixou um rasto de lama e destruição.
Especialistas em clima do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, com sede em Katmandu, referiram que uma avalanche de gelo causou a enchente repentina.
No entanto o cenário é cada vez mais preocupante: “O rio Lhende Khola transbordou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rochas de um glaciar no lado nepalês, que bloqueou o rio e libertou uma onda repentina”, referiu Saswata Sanyal, especialista em redução de riscos de desastres do grupo de pesquisa climática.
As autoridades nepalesas pediram que os moradores de vários distritos se mantenham afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani.
As autoridades do Nepal informaram que 403 pessoas, incluindo 341 estrangeiros, foram dados como desaparecidas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português avançou que existe uma portuguesa entre os desaparecidos.
Segundo um porta-voz de uma agência de turismo, 133 eram oriundas da Índia e encontravam-se a fazer uma peregrinação até ao Monte Kailash, no Tibete, que é um local sagrado para os hindus. "Solicitamos ajuda tanto da Índia quanto da China nos esforços de resgate”, referiu o porta-voz do governo nepalês.
Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, já conversou com o seu homólogo, Balendra Shah e ofereceu apoio: “A Índia está preparada para fornecer ao Nepal todo o tipo de assistência humanitária possível. Nossas equipas estão a coordenar de perto os esforços de resgate e socorro”, partilhou nas redes sociais.
O governo sul-coreano disse que nove cidadãos que trabalhavam na construção de uma barragem no Nepal estavam entre os desaparecidos enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Malásia informou que a embaixada recebeu relatos de agências de viagens de que perderam contacto com 11 turistas que se acreditam estarem no distrito de Rasuwa.
Numa declaração conjunta a Austrália, Reino Unido, União Europeia, Finlândia, França, Noruega e Suíça expressaram solidariedade com o povo do Nepal.
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