O ICE é a face dos anos negros do Trumpismo. Que grau de mudança haverá nas intercalares de novembro? Disso dependerá o registo dos últimos dois anos da Presidência Trump. Enquanto isso, é da Igreja Católica que vem o esteio moral dos conservadores. Do Afeganistão, cinco anos depois da tomada de Cabul pelos "talibã", a tragédia das mulheres e meninas afegãs também tem a nossa responsabilidade.
Entre os vários elementos preocupantes e indignos da Presidência Trump 2.0, a ascensão do ICE como braço armado da política anti-imigração e de intimidação a quem pareça desagradável ao "mindset" dos eleitores MAGA será a verdadeira prova de que os EUA, ao permitirem o regresso de Trump à Casa Branca numa versão ainda mais ofensiva dos processos democráticos, perderam definitivamente a face. As mortes nas ruas de cidades norte-americanas por ações dos agentes do ICE sucedem-se, mesmo que a atenção dos "media" e até dos políticos não seja constante e dependa da ativação emocional de vídeos que, pontualmente, apanhem em flagrante esses atos. Mas eles continuam, são constantes. A ideia de que o afastamento de Greg Bovino e, mais tarde, a demissão de Kristin Noem como Secretária do Interior teriam reduzido o caráter agressivo e à margem da própria desta milícia da Administração Trump é profundamente errada. O ICE tem carta branca das altas esferas políticas para prosseguir a sua ação de intimidação. Está a cumprir uma agenda com cobertura política. A decisão de aplicar as CTG 5 G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), luvas que dão choques elétricos para, de acordo com o fabricante, "desescalar confrontos com indivíduos". A "Homeland Security", agora dirigida por Markwayne Mullin, deverá gastar perto de 20 milhões de dólares até março do próximo ano com estas luvas chocantes (no sentido literal). Não se enganem: quem votou em Donald Trump (77 milhões de eleitores de norte-americanos) validou isto. Não imaginavam que se chegaria a tanto? Azar. Agora é tarde. O mal está feito.
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