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Ex-primeiro-ministro francês lança biografia: "É um striptease"

Num país onde os políticos sempre evitaram falar sobre a sua vida privada, a biografia está a ser considerada uma jogada política por muitos dos críticos.

Gabriel Attal, o ex-primeiro-ministro francês que quer agora suceder a Macron no cargo de presidente de França, está a ser acusado de exibicionismo devido aos detalhes da vida pessoal que decidiu partilhar na autobiografia, especialmente um capítulo onde detalha o romance com um comissário europeu francês.  

Gabriel Attal, ex-primeiro ministro francês, promove biografia
Gabriel Attal, ex-primeiro ministro francês, promove biografia AP Photo/Thibault Camus

En Homme Libre (Um Homem Livre, em português) vai chegar às livrarias francesas esta semana e Gabriel Attal, que chegou a ser apelidado de “bebé Macron”, considera o livro como uma mensagem “ao coração do povo francês”.  O centrista espera que a sua autobiografia e a consequentes sessões de autógrafos aumentem os seus índices de aprovação, elevando-o a principal nome dentro do Renascimento para suceder a Macron.

No entanto, no país onde os políticos sempre evitaram falar sobre a sua vida privada, a biografia está a ser considerada como sendo um “striptease” por muitos dos críticos. A maior parte das críticas são relativas a um capítulo intitulado “Gay”, onde Attal incluiu um relato do seu relacionamento com Stéphane Séjourné, comissário europeu. Segundo o livro os dois viveram uma união civil desde 2017, mas separaram-se em 2022, tendo reatado o relacionamento dois anos mais tarde depois das eleições parlamentares antecipadas.  

Numa entrevista recente para a divulgação do livro Attal descreveu Séjourné como o amor da sua vida e referiu que o casal gostava de ter um filho, mas que tem enfrentado dificuldades para adotar. O centrista referiu ainda que sofre de insultos homofóbicos nas redes sociais “quase todos os dias”.  

Gabriel Attal, 37 anos, foi chefe do governo de Macron durante nove meses em 2024, mas já referiu várias vezes que não mantém contacto desde que saiu do cargo por se terem desentendido relativamente às eleições parlamentares antecipadas. Em França acredita-se que Attal está a tentar distanciar-se do impopular presidente antes de assumir o partido nas eleições presidenciais do próximo ano, às quais Macron não pode concorrer por já ter cumprido dos mandatos presidenciais.  

No livro o francês partilha que considera que os franceses ficaram desapontados com a incapacidade de Macron delegar decisões: “Muitos franceses entusiasmaram-se com a ideia de que todos pudessem participar na transformação do país. Isso não aconteceu e viram um estilo de gestão bastante clássico e excessivamente vertical”. Depois destas críticas deixa a ideia de que faria um melhor trabalho: “Tenho ideias claras para a França”.  

Quem se candidatar pelo Renascimento deverá enfrentar Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, e Jordan Bardella ou Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional. 

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