Foram condenados quatro ex-comandantes de alta patente do Exército de Libertação do Kosovo por 96 assassinatos, além de acusações de tortura, tratamento cruel e detenção arbitrária contra opositores políticos e civis.
Hashim Thaçi, ex-presidente do Kosovo, foi condenado a 25 anos de prisão pelo tribunal de Haia por crimes de guerra, incluindo dezenas de assassinatos, cometidos durante o período em que foi comandante sénior do Exército de Libertação do Kosovo (KLA) durante a guerra de independência do país, no final da década de 1990.
Hashim ThaçiJerry Lampen via AP Photo, Pool
Os especialistas no Kosovo condenaram o homem de 58 anos e outros três ex-comandantes de alta patente por 96 assassinatos, além de acusações de tortura, tratamento cruel e detenção arbitrária contra opositores políticos e civis.
As condenações são o fim de um processo que durou anos e foi fortemente contestado pelo Kosovo para responsabilizar os comandantes do KLA pelos crimes cometidos durante a guerra do Kosovo (1998-1999).
Thaçi renunciou ao cargo há quase seis anos para enfrentar as acusações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e, esta quarta-feira, enquanto o juiz presidente lia a sentença permaneceu em silêncio.
O ex-presidente enfrentou múltiplas acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, tal como os outros três ex-líderes do KLA, que a nível nacional são amplamente considerados como heróis.
Além de ser considerado responsável pelos assassinatos, Hashim Thaçi também foi condenado pela detenção ilegal de 385 pessoas, tortura de 303 pessoas e tratamento cruel de cerca de 50. Para a acusação um ponto essencial é o grau de autoridade que os quatro condenados detinham ao assumirem o controlo operacional do KLA.
No final da guerra, o então chefe da diretoria política do Estado-Maior do KLA, adotou uma identidade política mais moderada, até porque vários diplomatas ocidentais sugeriram que Thaçi poderia ser uma figura central para a resolução do conflito e governação pós-guerra.
Ainda assim o tribunal decidiu que Thaçi “participou ativamente e incentivou crimes”, com uma natureza “muito grave”.
“As informações que levaram à prisão, detenção e morte de muitas destas vítimas não passavam de rumores não verificados. Com base nessas informações, as vítimas foram chamadas e descritas como espias e colaboradores, e sofreram tratamento violento”, referiu o juiz Charles Smith.
Charles Smith afirmou ainda que Thaçi “usou a sua posição, liderança, autoridade e prestígio” para incentivar crimes, mas insistiu que o julgamento “não se tratava da legitimidade do Exército de Libertação do Kosovo” ou do seu objetivo final de garantir a independência da Sérvia.
Apesar de os procuradores terem pedido uma pena de 45 anos de prisão para todos os réus, Hashim Thaçi e outro dos acusados foram condenados a 25 anos, e os restantes a 18 e 13 anos.
O ex-presidente enfrenta ainda outro julgamento por acusações de intimidação de testemunhas, que terá início no próximo mês.
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