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Do Congresso de direita à dívida pública: quais os maiores desafios de Lula no 4.º mandato?

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Lula da Silva foi reeleito para o quarto e último mandato presidencial, mas não alcançou uma maioria confortável.

Lula da Silva conseguiu uma vitória histórica no domingo, ao tornar-se o primeiro político a vencer a segunda volta das eleições presidenciais, depois de ter perdido na primeira. Alcançou ainda um segundo recorde, já que mais ninguém tinha sido reeleito duas vezes. O quarto e último mandato terá, porém, desafios acrescidos. Um Congresso maioritariamente de direita pode causar bloqueios na governação, além de a economia atravessar uma fase de grande fragilidade.  

Lula da Silva alcançou 'virada' histórica
Lula da Silva alcançou 'virada' histórica AP Photo/Natacha Pisarenko

Apesar da 'virada' histórica, Lula enfrenta um país profundamente dividido. O resultado da segunda volta reflete essa fragmentação, já que a distância para o segundo candidato, Flávio Bolsonaro, foi curta: de 51,7% para 48,2%. 

O presidente reeleito afirmou, no discurso da vitória, que este será o seu melhor mandato. Os principais desafios passarão por garantir condições de governabilidade, num Congresso maioritariamente de direita; recuperar o equilíbrio das contas públicas; resolver a criminalidade e insegurança; e gerir as relações diplomáticas com os Estados Unidos. 

Congresso à direita

Apesar de Flávio Bolsonaro ter perdido as eleições, o Partido Liberal (PL), que lidera, alcançou a maioria no Congresso – 121 na Câmara dos Deputados e 28 no Senado.  

Lula terá, por isso, de liderar sem uma maioria parlamentar e o cenário tornou-se mais difícil com a virada ainda mais à direita no Congresso, o que encurta a margem do Partido dos Trabalhadores (PT) para tomar decisões. 

Isto significa que Lula precisará do "Centrão", um conjunto de partidos de centro-direita que costuma negociar o apoio ao Governo.  

Dívida pública acima dos 80% do PIB

O estado das finanças públicas coloca a economia brasileira sob pressão. A dívida pública ultrapassa os 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e o banco central está com uma das taxas de juro mais elevadas do mundo para controlar a inflação.  

Para reequilibrar as contas públicas, o PT poderá precisar de adotar medidas impopulares e entrar em conflito com programas sociais.  

Baixar a criminalidade

A criminalidade e insegurança continuam a ser um problema no Brasil – tema, aliás, que marcou a campanha eleitoral. Lula entra no quarto mandato com a pressão de combater as organizações criminosas e as milícias que controlam certos territórios brasileiros.  

Na campanha, Lula admitiu baixar a idade de responsabilidade criminal para dos 18 para os 16 anos em crimes graves, enquanto partidos de direita defendem a descida para os 14.  

Relação com os Estados Unidos e soberania brasileira

O maior desafio na política externa será a relação com os Estados Unidos e o presidente norte-americano, Donald Trump. Ao mesmo tempo que é defensor da soberania brasileira, Lula terá de gerir as tensões comerciais, de modo a evitar tarifas mais elevadas.  

As tensões comerciais agravaram-se depois de Trump ter imposto tarifas ao Brasil em retaliação pelos processos judiciais contra Jair Bolsonaro – que cumpre atualmente 27 anos e três meses de prisão -, seu aliado político.  

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