Cidade norte-americana de Charleston aprova remoção de estátua de defensor da escravatura

Lusa 24 de junho de 2020
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O conselho municipal informou que a estátua do antigo vice-presidente dos Estados Unidos John C. Calhoun será colocada permanentemente "em local apropriado, onde será protegida e preservada".

A cidade de Charleston, na Carolina do Sul, historicamente um dos maiores centros do comércio de escravos, aprovou na terça-feira a remoção de uma estátua do antigo vice-presidente dos Estados Unidos John C. Calhoun.

estátua do antigo vice-presidente dos Estados Unidos John C. Calhoun
estátua do antigo vice-presidente dos Estados Unidos John C. Calhoun Sean Rayford/Getty Images

A resolução, aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal, autoriza a remoção da estátua do antigo vice-presidente dos EUA e senador da Carolina do Sul, defensor da escravatura, de um monumento com uma altura de 30 metros na Praça Marion, no centro da cidade.

O Conselho Municipal informou que a estátua de Calhoun será colocada permanentemente "em local apropriado, onde será protegida e preservada".

Pouco antes da meia-noite de terça-feira, o Departamento de Polícia de Charleston alertou que as ruas em torno do monumento estavam fechadas "para a remoção da estátua de John C. Calhoun", numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

A votação aconteceu uma semana depois de o líder da autarquia, o 'mayor' John Tecklenburg - que também participou na decisão -, ter anunciado que iria enviar a resolução ao Conselho Municipal.

Os membros do Conselho ouviram dezenas de residentes, a favor e contra a remoção da estátua. O vereador Karl L. Brady Jr. disse que sabia que o seu apoio à resolução poderia custar-lhe votos, mas que estava a votar de acordo com a sua consciência, numa iniciativa que, segundo o edil, mostra que Charleston coloca "a supremacia branca e os supremacistas brancos no lugar onde pertencem - no amontoado de cinzas da história".

A resolução surgiu também dias depois do quinto aniversário do assassínio de nove paroquianos negros num ataque racista numa igreja do centro de Charleston.

Cerca de 40% dos africanos escravizados transportados para os Estados Unidos chegaram através da cidade portuária de Charleston, que pediu formalmente desculpa em 2018 pelo seu papel no comércio de escravos.

Na sua resolução, a cidade diz que a estátua, instalada em 1898, "é vista por muitas pessoas como mais do que um memorial aos feitos de um nativo da Carolina do Sul, mas sim um símbolo que glorifica a escravatura e, como tal, uma dolorosa recordação da história da escravatura em Charleston".

Em vários discursos no Senado dos Estados Unidos, na década de 1830, Calhoun defendeu que os escravos no Sul estavam melhor do que os negros livres no Norte, chamando à escravatura um "bem positivo".

Os protestos antirracistas após o homicídio de George Floyd deram origem à vandalização e remoção de várias estátuas de figuras controversas, como as de Winston Churchill em Londres (Inglaterra), do navegador Cristóvão Colombo ou de generais da Confederação, nos Estados Unidos.

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